Projeto trabalha educação ambiental com crianças e adolescentes de João Pessoa

Iniciativa pretende orientar os mais novos quanto ao descarte correto do lixo, relação com a fauna e flora, além de explicar sobre a pegada ecológica que cada um deixa.

Cuidar do meio ambiente tem sido uma preocupação constante nos últimos anos. O assunto deveria ser destaque há muito tempo, mas é graças às recentes mudanças climáticas, e as consequências que elas trazem para o presente e futuro do planeta, que o tema se colocou como emergencial. 

Para acompanhar crianças e adolescentes no período de formação educacional e garantir que elas saibam a importância de preservar a natureza, a Coordenação de Educação Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente de João Pessoa realiza, através do Parque Zoobotânico Arruda Câmara, projetos voltados ao público infantojuvenil. A iniciativa foi destaque no Paraíba Comunidade, nas TVs Cabo Branco e Paraíba, neste domingo (5).

O trabalho multidisciplinar envolve profissionais de diferentes áreas. São biólogos, geógrafos, gestores ambientais, engenheiros locais e historiadores. As atividades também são amplas. A visita guiada é a mais comum, quando os pais e as escolas (públicas e privadas) fazem o agendamento e levam as crianças para conhecer os arredores do Parque da Bica. 

O trajeto, acompanhado pelos educadores, conta com explicação da importância de manter a fauna e a flora saudáveis e bem cuidadas. Com o entendimento voltado para a cadeia construída pela vida animal e vegetal, o público vai percebendo que a relação entre os seres humanos e o ecossistema é constante e requer respeito e preservação. 

Uma das principais informações que os educadores passam ao público é que os animais ali presentes vem, em sua maioria, do tráfico ilegal de espécies. Foto: Arquivo/Bica

O projeto de educação ambiental usa, durante a caminhada, alternativas lúdicas para interagir com as crianças, jogos e brincadeiras que utilizam materiais reaproveitados, como garrafas pet e latinas de refrigerante. De acordo com Neide Marthins, coordenadora de Educação Ambiental da cidade, é dessa forma que a atenção é conquistada logo no início “é mais fácil falar para os pequenos, eles têm uma sede de aprender. Eles têm curiosidade, e os filhos levam muito do seu aprendizado para os pais”, comenta.  

Uma das principais informações que os educadores passam ao público é que os animais ali presentes vem, em sua maioria, do tráfico ilegal de espécies. A coordenação alega que os bichos não são retirados do habitat natural para ir ao zoológico. 

Segundo a Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres, uma ONG que trabalha para a conservação da biodiversidade, 38 milhões de animais são retirados da natureza por traficantes todos os anos, no Brasil.

Para além do Parque

Com área de 26,8 hectares de extensão, a Bica é uma reserva tombada pelo Iphaep desde 26 de agosto de 1980. Apesar de ser um vasto espaço verde, ideal para que todo mundo se sinta influenciado a pensar sobre aspectos relacionados à ecologia, o projeto de educação ambiental não se restringe ao Parque. 

As iniciativas são levadas às escolas e condomínios, seguindo o mesmo agendamento que vale para as atividades na Bica. Sem animais e grandes árvores, a equipe conta com lições ao ar livre, tirando os alunos das quatro paredes dos apartamentos e das salas de aula. O ensino do plantio de mudas, passado num mini-curso sobre compostagem, é uma das ações mais disputadas. A coordenadora Neide Marthins comenta que todos querem sentir a terra, entender como as plantas crescem e fazer parte das transformações positivas do meio ambiente. 

As iniciativas são levadas às escolas e condomínios, seguindo o mesmo agendamento que vale para as atividades na Bica. Foto: Arquivo/Bica

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Em João Pessoa, uma lei voltada ao incentivo da educação ambiental em escolas foi implementada em 2018. A Lei nº 13.629 consiste na  certificação ambiental para escolas que desenvolverem projetos e ações para educação ambiental e uso sustentável dos recursos naturais  na capital paraibana. 

Mas, para ambientalistas como Fernando Yplá, a legislação não é efetiva para mudar um problema estrutural, a desinformação e a falta de responsabilidade pessoal da sociedade com os cuidados ambientais. Fernando defende que a educação ambiental deveria fazer parte da agenda fixa de escolas e universidades. 

“Veem a temática como transversal a outras disciplinas, mas a verdade é que esses ensinamentos deveriam ser fixados nas grades curriculares, para explicar de maneira aprofundada qual a influência das nossas ações”, avalia o ambientalista. 

Presente nas discussões relacionadas ao assunto há quase 20 anos, Fernando Yplá acredita que as noções de preservação do meio ambiente precisa alcançar o patamar cultural no Brasil, de modo que atitudes como descarte incorreto do lixo, uso de materiais poluentes no dia a dia e consumo desenfreado sejam pontos repensados amplamente, e não por uma pequena parcela. 

“Não temos o hábito de gostar da natureza desde criança. Com uma educação ambiental aprofundada não veríamos desde ruas sujas até grandes desastres. Tudo isso pode ser evitado”, afirma. 

Para onde vai nosso lixo?

O projeto de educação ambiental do Parque da Bica encontrou, ainda, uma falha latente que interfere na qualidade de vida das cidades e na frequência dos desastres ambientais. Nós não sabemos como descartar o lixo. Para lidar com isso, as crianças e adolescentes que participam do projeto também são orientadas nesse sentido. 

Segundo os números da Autarquia Municipal Especial de Limpeza Urbana de João Pessoa (Emlur), em 2021 foram coletadas 232.960 toneladas de resíduos, dessas, 151.744 toneladas são domiciliares. Os números da Organização das Nações Unidas (ONU) são alarmantes, 145 mil toneladas de resíduos são descartados todos os dias de forma irregular na América Latina.

No “Desafio Lixo Zero” da Bica, os pequenos recebem um saquinho e uma luva e participam de um mutirão de limpeza pelo Parque. Entre os problemas com o descarte inadequado, a educadora ambiental Neide Marthins destaca os impactos para animais marinhos, como as tartarugas, e as enchentes provocadas pelo entupimento das galerias. 

“Desafio Lixo Zero”, onde as crianças participam de um mutirão de limpeza pelo Parque. Foto: Arquivo/Bica

Com as manchetes sendo tomadas por uma natureza que chegou ao limite e transborda em agonia através de temperaturas alarmantes, e sabendo que muito desse caos passa pela ação humana, iniciativas de educação ambiental como as que acontecem no Parque da Bica podem parecer um trabalho de formiguinha. E é. Cada pequeno ser humano aprendendo que a terra onde pisa é sinônimo de casa, e que não tem ninguém que possa cuidá-la no lugar deles. É um esforço coletivo por transformações que afetam a qualidade de vida e o futuro do planeta. 

Toda as atividades de educação ambiental do Parque da Bica estão disponíveis para agendamento. O espaço só fecha nas segundas-feiras, e nos demais dias funciona de 8h às 17h. Para mais informações é possível entrar em contato com o  telefone (83)3218-9710.

 

*Texto publicado sob supervisão de Jhonathan Oliveira