Paraíba perdeu 9 mil hectares de Mata Atlântica entre 1985 e 2020, diz MapBiomas

No estado, 40% da Mata Atlântica é vegetação secundária, ou seja, áreas que foram desmatadas e que estão se recuperando. 

A Paraíba perdeu 9 mil hectares de Mata Atlântica de 1985 a 2020, segundo Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas. Foto: Arquivo/Agência Brasil

A Paraíba perdeu 9 mil hectares de Mata Atlântica de 1985 a 2020, segundo uma análise do MapBiomas. A iniciativa mapeou imagens de satélite entre 1985 e 2020, segundo os contornos determinados pela Lei n° 11.428 de 2006, também conhecida como Lei da Mata Atlântica.

Além disso, na Paraíba, 40% da Mata Atlântica é vegetação secundária, ou seja, áreas onde desmatamento ocorreu e que estão se recuperando.

 

Cenário nacional

O mapeamento das transformações da Mata Atlântica indica que a cobertura florestal passou de 27,1% em 1985 para 25,8% em 2020. Atualmente, outros 25% são ocupados por pastagens; 16,5% por mosaicos de agricultura e pastagens; 15% pela agricultura; 10,5% por formação savânica e outras naturais.

A cobertura florestal manteve-se praticamente estável nos últimos 30 anos, após um período de alto desmatamento ocorrido entre 1985 e 1990. Todavia, por trás dessa estabilidade, esconde-se a perda de florestas maduras e a regeneração de matas jovens. Entre 1985 e 2020 a perda de vegetação primária foi de 10 milhões de hectares.

Simultaneamente, a área de vegetação secundária ganhou 9 milhões de hectares. “A aparente estabilidade da cobertura florestal da Mata Atlântica é enganosa porque existe uma diferença de qualidade entre uma mata madura, rica em biodiversidade e com carbono estocado, de uma área em recuperação”, alerta Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas.

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Além disso, uma área abandonada por quatro ou cinco anos já tem floresta em estágio inicial, contudo, muitas vezes ela é desmatada, evitando que essa floresta se recupere. “Precisamos interromper essa tendência de destruição de florestas maduras e fomentar a manutenção das matas recuperadas para garantir os serviços ambientais prestados pelo bioma”, afirma Luís Fernando Guedes, coordenador da equipe Mata Atlântica e Pantanal do MapBiomas.

Nos últimos 36 anos, 12 estados perderam vegetação nativa. A Bahia foi a campeã em perda (com 9.642 km²), seguida pelo Rio Grande do Sul (6.899 km²), Santa Catarina (6.359 km²) e Paraná (com 3.744). A década de maior recuperação de áreas florestais ocorreu entre 2000 e 2010, quando a Mata Atlântica ganhou 5.754 km² de florestas. Por duas décadas, desde 2000, o estado de São Paulo manteve o crescimento da área de florestas.