Demora em traslado no corpo de paraibano morto no Peru é atípica, segundo especialista

Família reclama das dificuldades para receber e finalmente poder velar o corpo, que até esta quarta-feira (25) não havia chegado.

Acervo Familiar

O secretário geral da Comissão de Direito Internacional da OAB/PB, Pedro Igo, disse que é atípica a demora no traslado do corpo do paraibano morto no Peru há 12 dias. Nas palavras do jurista, “não é normal a expedição da certidão da expedição de óbito”, visto que a causa da morte foi natural. A família reclama das dificuldades para receber e finalmente poder velar o corpo, que até esta quarta-feira (25) não havia chegado.

“Se o óbito fosse decorrente de homicídio, ou de algum tipo penal, de acordo com a legislação do estado peruano, aí sim, a liberação do corpo eventualmente poderia vir a demorar, mas nesse caso, acreditamos que a demora, ela é atípica”, afirmou Pedro Igo.

Warner de Albuquerque Pontes tinha viajado com a esposa Alessandra de Carvalho Pontes para assistir à posse da filha em um concurso público em Rondônia. De lá, a esposa precisava voltar para João Pessoa devido ao trabalho, mas ele aproveitou para realizar um antigo sonho e foi sozinho conhecer Machu Picchu.

Foi no Aeroporto de Lima, na capital peruana, que Warner passou mal e morreu. Ele aguardava o embarque para realizar a viagem de volta ao Brasil.

Depois de passar 11 dias no Instituto Médico Legal de Lima, o corpo foi retirado pela funerária e embalsamado, mas a empresa comunicou à família que só poderá embarcá-lo para o Brasil no dia 7 de junho. “A gente não consegue entender qual é o motivo de mais 15 dias de processo”, ressaltou Thaís de Carvalho, filha de Warner.

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Thaís também disse que “a embaixada brasileira do Peru realmente deliberou os documentos que eram necessários dela na própria segunda”, e que o caso seguiu para um órgão que “é semelhante a um Ministério Público aqui do Brasil, lá no Peru. Falaram que precisaram de uma autópsia mais detalhada”, relatou.

O JORNAL DA PARAÍBA entrou em contato com o Itamaraty, mas não obteve respostas até a publicação desta matéria.

A esposa do professor relatou que vem mantendo contato com a Embaixada do Brasil no Peru, que se limita em dizer que está fazendo o possível para acelerar o processo.

Família reunida com Warner de Albuquerque Pontes
Foto: Acervo Familiar

Família reunida com Warner de Albuquerque Pontes — Foto: Acervo Familiar

A família já realizou, inclusive, a missa de sétimo dia em homenagem a Warner, mas o velório e o sepultamento continuam impossibilitados.

Outro problema gerado pela demora no traslado é o fato de que a família só tem 30 dias para dar entrada no seguro-viagem, porque precisa da Certidão de Óbito, que ainda não tiveram acesso. Sem o documento, inclusive, nenhuma outra questão legal pode ser resolvida.

Warner era professor de matemática, e trabalhou na Rede Estadual de Ensino, na Prefeitura de João Pessoa e em colégios como a Lourdinas, sempre na capital paraibana. Já aposentado, estava em viagem pelo exterior, quando morreu. “Ele era alegre, bem-humorado, amava viajar. Ficou muito tempo recluso por causa da pandemia e quando teve a oportunidade foi realizar o seu sonho”, contou a esposa.