Vontade de se engajar na atividade é chave para resultados

Jovens que participam das aulas de capoeira são tratados pelo professor como parte da família. Para ele, amor é o mesmo por todos os alunos. 

Um dos mais novos no projeto é José Carlos (nome fictício), de 8 anos. Ele veio de Recife para João Pessoa por causa de frequentes ameaças de morte sofridas pela mãe, dependente química. Envolvida com traficantes de drogas, a mulher viu o irmão ser assassinado e, por temer pela segurança do filho, optou por deixá-lo com o pai na capital paraibana. Sem tempo, o homem que se divide entre o trabalho e as saídas com os amigos, acabou por se esquecer do menino. Para a criança, o perigo que no passado era decorrente dos atos da mãe passou a se fazer presente pelos maus exemplos da rua.

Mais uma vez, o cuidado de Escurinho foi essencial para que mais um menino pudesse começar a trilhar um caminho certo. Após conhecer o projeto, o desejo de se engajar em uma atividade com outras crianças fez com que José Carlos pegasse o pai pelo braço e o levasse a costureira da comunidade para que seu uniforme de capoeirista pudesse ser confeccionado. Hoje, o garoto conquistou o direito de brincar de forma saudável e ter por alguns instantes um ambiente adequado para aprender e se desenvolver. Mesmo há pouco tempo no grupo, ele já é tratado como se fosse da família.

Filhas biológicas do professor, Alicia Luana, de 9 anos, e Maria Alice, de 4 anos, acompanham de perto tudo o que o pai faz. Com os irmãos da comunidade, elas criam laços de afeto e se divertem sem cerimônia. Mas se engana quem pensa que as duas têm privilégios durante as aulas. “Eu digo para elas que aqui eu sou o professor. Meu amor por elas é o mesmo amor que tenho pelos outros, do maior ao menor. Tenho tanto carinho pelo Clisvaldo, que está há 19 anos comigo, quanto pelo que entrou por último”, ressalta Escurinho.

Integrante mais novo está há apenas 2 meses no projeto, enquanto que o mais antigo acompanha Escurinho há 19 anos. (Foto: Phillipe Xavier)