Fortaleza de Santa Catarina sofre com falta de obras de restauração

Sem reparos, monumento em Cabedelo amarga danos ao longo dos anos e perde atrativos.

Um dos principais cartões portais da Paraíba, a Fortaleza de Santa Catarina, em Cabedelo, sofre com a falta de obras de restauração. “Há a necessidade urgente de restaurar, principalmente as muralhas e guaritas, executar de fato a limpeza e recuperar as instalações elétricas”, declara o presidente da Fundação Fortaleza de Santa Catarina, Osvaldo Carvalho. Os gastos da Fortaleza hoje são custeados exclusivamente pelo valor pago pelos turistas na entrada do local: R$2. 

Fundada em 1589, a Fortaleza de Santa Catarina é uma construção portuguesa, feita originalmente de taipa. O material hoje visto no local veio no final do século XXI. “Muita gente pensa que é uma construção holandesa, mas a predominância aqui é portuguesa. Os holandeses só estiveram na Fortaleza entre 1634 e 1654”, diz Carvalho. Hoje, a construção que foi tombada pelo então órgão responsável, o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), em 1938, precisa de reparos, como o restauro do piso e da base dos canhões. 

Número de visitantes cai em mais de 10 mil

Em todo o ano passado, apenas 26.777 turistas visitaram a Fortaleza de Santa Catarina, número bem inferior ao registrado em 2005 quando 36 mil pessoas visitaram a Fortaleza. Em janeiro, época mais movimentada do ano no Estado, é quando a visitação também cresce no ponto turístico. “As pessoas aproveitam que vem para a praia, e também  vem conhecer um pouco de história aqui”, afirma o presidente da fundação, Osvaldo Carvalho. “É neste mês que eu quase consigo equilibrar as contas da Fortaleza, mas nunca dá”, relata. 

Ao realizar um passeio por dentro da Fortaleza de Santa Catarina, é possível notar as matas cobrindo canhões, alguns deles parcialmente quebrados e muralhas sem manutenção, mas ainda há alguns problemas que não são tão visíveis. “Todo o entorno da Fortaleza tem muitas tubulações e os caminhões [que vão abastecer ao lado, no Porto de Cabedelo] não param de passar por cima. Já fizemos diversas reuniões com os empresários, mas isso não parou de acontecer. Não sei como ainda não houve um incêndio”, alerta o presidente da fundação. 
 
Maria do Carmo Borges, que vende artesanato dentro da Fortaleza há pelo menos 11 anos, sentiu a queda dos turistas no local. “Antigamente, até que a gente vendia mais, e no início do ano, realmente vem mais gente, mas este ano o movimento ainda ‘tá’ curto, dizem que é por causa da crise, né?”, questiona Maria do Carmo, que também ajuda a Fortaleza em limpeza e manutenção. “Geralmente, os turistas de lugares mais frios como Rio Grande do Sul e Paraná que gostam de frequentar a Fortaleza e se interessam por artesanato. Mas vamos esperar pra ver se o movimento melhora”, torce. 
 
Um dos pontos que ajudou a conservação da Fortaleza de Santa Catarina foi a adoção das contas de energia elétrica pagas pelo governo do Estado. “Cheguei algumas vezes a recorrer a amigos, que pagavam em parcelas as contas de até R$2 mil. Aí procuramos fazer com que a Fortaleza não dependesse de prefeituras. E eles ficaram com essa responsabilidade”, afirma. Mas um dos maiores problemas, ainda não tem uma solução a curto prazo. “Eu consigo limpar os matos aqui de dentro, faço toda essa limpeza, mas fora é uma área muito grande e o mato toma totalmente o espaço em apenas três meses. Para pagar isso, por baixo, a gente tem que pagar R$ 2 mil a uma pessoa e precisa de pelo menos três, então não temos condições de enfrentar mais esse gasto”, afirma Carvalho. 
 
A área do terreno da Fortaleza de Santa Catarina mede 36 km² e conta com espaços como quartéis de soldados e dos oficiais, a casa da pólvora, do capitão-mor e a capela de Santa Catarina. Foram essas atrações que interessaram o estudante Gattass Campos, do Mato Grosso do Sul, a conhecer a Fortaleza. “Como eu gosto muito de história, já tenho um interesse maior por lugares assim. E como a minha família comprou o pacote que já incluía a visita à Fortaleza, fiquei ainda mais animado”, declara. A Fortaleza de Santa Catarina abre todos os dias (incluindo domingos e feriados), das 8h às 16h30.
 
 
Fortaleza de Santa Catarina ao longo da história
 
1589 – Fundação da Fortaleza em taipa de pilão, como é chamado o material de madeira e barro. 
1591 – Ela é praticamente destruída por um ataque franco-indígena. 
1592 – Inicia-se o processo de reconstrução. 
1597 – Franceses atacaram a Fortaleza, mas foram repelidos por João de Matos Cardoso. 
1631 – Primeiro ataque dos holandeses que foram expulsos. 
1634 – No início do ano, os holandeses tentaram tomar a Fortaleza, mas foram novamente expulsos. No fim do ano, em um novo ataque, eles conseguiram dominar o local. 
1637 – Visita de Maurício de Nassau à Fortaleza. 
1654 – Os holandeses foram retirados da Fortaleza.  
1854 – Visita de Dom Pedro II.
1970 – Lançamento da pedra fundamental para a restauração da Fortaleza.