Pesquisa da UEPB sobre resistência a inseticidas no Aedes aegypti é apresentada

Coordenador do Laboratório de Entomologia apresentou os avanços na área de genômica da resistência no mosquito.

Um estudo desenvolvido pelo Laboratório de Entomologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) foi destaque em conferência internacional sobre abordagens integradas e ferramentas inovadoras para combater resistência a inseticidas em vetores de arboviroses, realizada este mês, em Singapura, no Sudoeste da Ásia.

No evento, o professor Walter Fabrício Silva Martins, coordenador do Laboratório de Entomologia, apresentou os avanços na área de genômica da resistência no mosquito Aedes aegypti e suas implicações para o controle de inseto vetores. Atualmente, o grupo de pesquisa do Laboratório tem desenvolvido diversos projetos que abrangem quatro estados do Nordeste (Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Sergipe). As principais atividades desenvolvidas são pertinentes à identificação do nível de suscetibilidade das populações aos inseticidas recomendados pelo Ministério da Saúde, bem como identificação de variações genéticas que reduzem ou impedem a ação dos inseticidas aplicados no controle dos insetos vetores.

“Os resultados dos nossos projetos apresentados durante a Worldwide Insecticide-resistance Network (WIN) demonstram que em dez populações de Aedes aegypti estudadas encontram-se três variações genéticas (V410L, V1016I e L1534F) presentes no sitio-alvo dos inseticidas piretróides e que a presença dessas variações isoladas, ou de forma simultânea, favorecem a sobrevivência dos mosquitos apás aplicação de inseticidas”, explicou professor Walter.

Rede de colaboração

Atualmente, o grupo de pesquisa, através do Edital PROPESQ/UEPB e Wellcome Trust, tem intensificado os estudos de genômica e transcriptômica em populações resistentes, com o intuito de caracterizar os mecanismos envolvidos na resistência, o qual poderá auxiliar na decisão de estratégias mais eficazes para o controle das populações do Aedes aegypti. Embora, as aplicações de novas tecnologias e estratégias estejam sendo implantadas para o enfrentamento das epidemias de arboviroses transmitidas pelo vetor, o engajamento da sociedade através da remoção de criadouros artificias tem papel fundamental para o sucesso do controle e prevenção dessas doenças.

A Worldwide Insecticide-resistance Network (WIN) é uma rede de colaboração internacional formada por mais de 19 instituições de pesquisa mundialmente reconhecidas por estudos referente a transmissão de doenças tropicais que atuam em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre as iniciativas da WIN, destaca-se a elaboração e recomendação de estratégias que visam o controle do mosquito Aedes aegypti, conhecido popularmente como mosquito da dengue.

Os estudos abordando diversos aspectos da biologia do mosquito Aedes aegypti, particularmente referente à evolução da resistência aos inseticidas utilizados em programas de controle de populações, tem sido de fundamental importância para desenvolver ações de controle mais eficazes, buscando a redução e a prevenção da transmissão dos vírus da Dengue, Zika e Chikungunya em áreas endêmicas. Além da severidade das arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, a notificação de pelo menos uma dessas doenças em mais de 120 países atinge quase 80% da população mundial, reforçando a necessidade de pesquisas para desenvolver programas de controle mais eficientes.