Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Melhor “pular” 2021 e continuar vivo para ter várias histórias de carnaval pra contar

Por LAERTE CERQUEIRA

Foto: G1/Arquivo

Dezenas de prefeituras da PB e o governo estadual cancelaram o formal ponto facultativo da segunda e terça-feira de Carnaval. Dias que, fora do papel, sempre foram feriado, folga, feriadão, como queiram. Sem dúvida, a melhor medida. Salvadora, mesmo com as resistências irracionais.

Há algumas exceções, como na cidade Pitimbu, litoral sul. Lá, a prefeitura manteve o ponto facultativo e disse que vai conseguir controlar tudo, caso alguém insista em fazer uma festinha. Alguém acredita?

No caso da maioria das cidades, a ideia é deixar o cidadão no trabalho para ficar longe da aglomeração. Como muitos servidores públicos vão bater ponto, boa parte do comércio vai abrir, profissionais liberais vão trabalhar, e a vida vai parecer normal, espera-se que a normalidade evite “bombas” de contaminação.

Para os bancos o feriado de carnaval está garantido. Um decisão anacrônica, considerando o movimento do poder público para evitar folgas, tempo livre para festa e grandes encontros. As agências só abrem na Quarta-feira de Cinzas, depois do meio-dia. Os dirigentes da Febraban devem achar que os bancários vão ficar em casa vendo séries nos serviços de streaming.

A PM da PB espera não ter trabalho, como em outros carnavais. Mas, com certeza, prepara-se para interromper as festas programadas ou espontâneas, sem dono, que vão aparecer pelas ruas, principalmente nas cidades litorâneas (Conde, Baía da Traição, Lucena) e do Sertão, onde a pandemia parece distante, onde a fiscalização é escassa.

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Mas alguém duvida que vai ter festão, aglomeração e pancadão, por aí? Bebedeira, contaminação e paredão? Para alguns, basta um primeiro gole para transformar a bebida alcoólica em imunizante.

Ao menos, com menos euforia, com menos clima de festa, de “fim do mundo”, menos pessoas vão se jogar no colo do coronavírus. Mais pessoas vão lembrar que tem Carnaval todo ano e que se resguardar, pelo menos nesses dias, este ano, é uma forma de não se arriscar na “loteria” do pulmão comprometido, da intubação dolorosa ou da última folia para contar história.