Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Parlamentares têm obrigação de arquivar projeto de voto impresso depois da “live” ridícula de Bolsonaro

Por LAERTE CERQUEIRA e ANGÉLICA NUNES 

Presidente admite que não tem prova de fraudes nas “eleições”. Foto: Reprodução

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem todo direito de ser a favor do voto impresso. Todos nós temos.

Ele pode iniciar um movimento para defender a ideia e, por meio do Congresso Nacional, mudar as regras para “aperfeiçoar” o sistema eleitoral brasileiro.

Mas deve fazer sem ensaiar um golpe, pressão, “chantagem”, ataques, criando mentiras para, de forma premeditada, justificar eventual derrota ano que vem. Bolsonaro já fala como perdedor antes mesmo de iniciar a disputa.

Mais do que isso, escancaradamente, com silêncio de parte do parlamento, que ainda vai pagar um preço pela conveniência, Bolsonaro coloca em xeque a Justiça Eleitoral e tenta criar um clima de deslegitimação. Aposta no caos em 2022, se perder.

Live ridícula 

Repetimos: não há problemas em apresentar e discutir de maneira democrática a implantação da impressão, garantindo o sigilo constitucional. Boa parte dos parlamentares até pensa que é possível.

Mas a argumentação do presidente e de seus asseclas têm beirado o ridículo. Aliás, ontem na live para mostrar supostas provas de fraude na urna eletrônica, ele foi ridículo.

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Obrigou um assessor, constrangido, a criar teses de possibilidade de fraudes, argumentou de maneira irresponsável, não provou nada, atacou o sistema que o transformou em um profissional da política.

O Tribunal Superior Eleitoral desmentiu as falas do presidente em tempo real, ontem. À imprensa, ministros já admitem que a comunicação contra a desinformação produzida pelo presidente precisa ser mais eficiente.

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Parlamentares têm que arquivar 

Se na Comissão Especial da Câmara já havia um movimento para arquivar a discussão, depois de ontem, os deputados têm obrigação de tomar uma atitude e enterrar de vez a ideia, pelo menos para começar a valer ano que vem.

Se aceitarem o autoritarismo do presidente, corre o risco de em breve serem expulsos do parlamento.

Temos problemas de sobra: desemprego em alta, pobreza extrema aumentando, crescimento econômico baseado “no assalto ao mais pobres”, por causa da inflação alta, e o presidente só faz tumultuar. Perde tempo, sem administrar o país.

Dá pra imaginar a dificuldade de alguém que trabalha no governo e busca, de fato, encontrar soluções para o nossos problemas. Um desgosto dia após dia.