Deputados tentam justificar coligações, mas movimento é apenas por permanência no poder

Nelson Júnior/Ascom TSE

Os discursos são bonitos, cheios de arrodeios. Mas a proposta aprovada em segundo turno ontem na Câmara Federal, que traz de volta as coligações partidárias, é tão somente um movimento dos parlamentares para permanecerem no poder. A PEC é ruim para a democracia brasileira. Favorece a proliferação de legendas de aluguel e aumenta a insegurança jurídica em torno das regras eleitorais.
Na bancada paraibana apenas Damião Feliciano (PDT) foi contrário à iniciativa. Os demais, votaram a favor do retorno das coligações.
Alguns deles, inclusive, mudaram de entendimento.

Um levantamento feito pelo G1 mostra que em 2017, quando as coligações foram proibidas, os deputados Hugo Motta (Republicanos), Efraim Filho (DEM), Pedro Cunha Lima (PSDB) e Aguinaldo Ribeiro (PP) foram contrários às coligações.

Agora, diante do ‘acordo’ feito na Câmara pela preservação dos mandatos, mudaram de ideia.
Ao justificar o voto, Efraim disse que a ausência das coligações dificultou a formação de chapas. Hugo Motta alegou que em um país continental, o modelo prejudicou muita gente.
A verdade é que as coligações apenas aprofundam problemas antigos da democracia brasileira. É bom para o fisiologismo e para partidos sem ideologia e sem identidade. Somente.
No mais, são discursos e tentativas vagas de modificar um sistema já decadente, que sofre mudanças a cada dois anos.

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