Afastado da Prefeitura de Bayeux, Berg Lima entrega carta e renuncia ao cargo

Ele protocolou o pedido na Câmara Municipal, na manhã desta terça-feira (14).

Foto: Silvia Torres/TV Cabo Branco

O prefeito afastado de Bayeux, Berg Lima (PL), resolveu colocar um fim em suas tentativas de retornar ao comando político da cidade. Ele protocolou na manhã desta terça-feira (14), na Câmara Municipal, um pedido de renúncia do cargo, após ter tentado na tarde de segunda-feira (13) e ser impedido devido ao fim do expediente na Casa. Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o seu retorno, sendo este mais um capítulo de um impasse jurídico vivido desde 2017.

Na carta entregue ao legislativo municipal, Berg Lima afirma ter sido vítima de uma armação jamais vista. “Fui afastado, perseguido, passei por uma verdadeira provação ao lado da minha família e dos poucos que querem realmente o bem da nossa cidade e da nossa gente”, diz em um dos trechos.

 

Idas e vindas

 

Berg desiste de tentar voltar ao posto para o qual foi eleito após dois afastamentos. No final de 2018, ele voltou após um ano e meio fora do cargo. Em julho de 2017, o primeiro afastamento aconteceu por causa da sua prisão em flagrante, durante uma operação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público da Paraíba (Gaeco/MPPB).

Então prefeito, Berg foi flagrado recebendo R$ 3,5 mil de um empresário que atuava como fornecedor da prefeitura de Bayeux. O valor foi uma exigência para que o empresário pudesse receber o crédito de R$ 77 mil, referente a um contrato celebrado na gestão anterior. Berg foi solto em novembro do ano passado, mas continuou fora da prefeitura, em função de medidas cautelares impostas pela Justiça.

Blog do Suetoni: Com a renúncia, processos contra Berg voltam para o primeiro grau

O segundo afastamento aconteceu no último dia 20 de maio, por decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB). Na ocasião, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) acusou Berg de ter cometido 128 crimes de responsabilidade e pede a sua condenação a 1.536 anos de prisão.

De acordo com o procurador do Ministério Público da Paraíba, Alcides Jansen, Berg se apropriou de salários pagos a servidores fantasmas. Por isso, cada salário pago é um crime diferente e por isso, o procurador pediu que Berg fosse denunciado 128 vezes no crime.

Desde este último afastamento de Berg, o vereador Jefferson Kita (Cidadania), que é presidente da Câmara Municipal, assumiu o cargo de prefeito interinamente. Com a renúncia de Berg Lima, a Câmara vai convocar eleições indiretas para definir quem vai administrar a prefeitura até o final do ano.

 

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Confira a carta-renúncia de Berg Lima:

 

Tive a honra e a felicidade de ser escolhido pelo povo de Bayeux para servir minha cidade na condição de prefeito. Por outro lado, desde então, as forças e os poderes que sempre tiveram interesses e dominaram a cidade sem cuidar do povo não se conformaram com a legítima decisão que cada cidadão e cidadã de Bayeux tomou nas urnas.

Vítima de uma armação jamais vista, fui afastado, perseguido, passei por uma verdadeira provação ao lado da minha família e dos poucos que querem realmente o bem da nossa cidade e da nossa gente. O justo prevaleceu e retornei à missão que me foi confiada pelo povo de Bayeux. Trabalhei dia e noite para honrar a confiança de cada cidadão, ainda mais quando tivemos que enfrentar bravamente uma pandemia sem precedentes.

Entretanto, ver Bayeux bem cuidada e no caminho certo incomoda muita gente, ainda mais em ano eleitoral. Arrumaram qualquer motivo para, numa clara perseguição pessoal, me afastarem mais uma vez e entregar a cidade na mão dos meus oportunistas algozes, verdadeiros tiranos que não guardam qualquer compromisso com nossa gente, numa trama medíocre e repugnante.

Não resta qualquer dúvida que há uma cruzada contra a minha pessoa e que essas pessoas não descansarão enquanto não tirarem da mão do povo o direito de escolher seu prefeito.

Não temo qualquer um deles, tampouco me acovardo na luta, mas minha missão maior sempre foi com o povo da minha amada Bayeux. Essa perseguição injusta e covarde já causou muito mais mal à nossa cidade até que a mim mesmo.

Sendo assim, para tentar dar à minha amada Bayeux uma última esperança de ter paz e poder seguir caminhos melhores, renuncio, em caráter irrevogável e irretratável, com muita dor, ao cargo que com muita honra recebi do povo para que o alvo passe a ser apenas eu e nosso povo e nossa cidade possam ter tempos melhores.

Cristão convicto, relevo as injustas acusações e perseguições assacadas contra mim, entregando nas mãos do Nosso Pai Celestial o Julgamento Maior e Final.

Bayeux- PB, 13 de julho de 2020.

GUTEMBERG DE LIMA DAVI