Seria do “carvalho” se a gente pudesse tirar Jair Bolsonaro da presidência!

O Brasil é uma quadrilha chamada Brasil.

Li isso com tristeza na Folha de S. Paulo.

Quem escreveu foi Ruy Castro.

A coisa anda tão ruim, mas tão ruim, que o excelente biógrafo de Garrincha e Nelson Rodrigues quase não escreve mais sobre cultura.

O negócio dele agora é bater em Bolsonaro. E, ainda assim, tem gente na esquerda que o execra como direitista.

Nesta quinta-feira (08), participei brevemente de uma dessas conversas de Facebook.

A tese era “o povo tem o governo que merece”.

Não concordo nem um pouco com esse argumento.

Reconheço que Bolsonaro é o “nosso” presidente. Sim, porque, afinal, como só há um, ele é o presidente de todos os brasileiros.

Mas, me permitam a presunção, não mereço Bolsonaro como presidente.

O professor Fernando Haddad teve uns 45 milhões de votos no segundo turno da eleição de 2018, e eu votei nele.

O povo que merece Bolsonaro como presidente é outro: os quase 58 milhões que votaram nele somados a muitos outros milhões que não votaram em ninguém.

Se Haddad fosse o presidente, ou Ciro, ou Alckmin, ou até Doria, teríamos outro tipo de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

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Mas o que temos é um homem que, ao se reunir em São Paulo com a nata do empresariado, usa palavras como vagabundo e caralho para se referir ao governador do maior estado brasileiro.

O leitor que me desculpe pelo palavrão, mas estava na capa da Folha ontem à noite.

Aproveitando o palavrão que um presidente não deve pronunciar em público, e só o faz porque não tem postura de presidente nem dimensão do cargo que ocupa, vou dizer o seguinte:

Seria do “carvalho” que pudéssemos defenestrar Bolsonaro da presidência.

Já ouvi até gente dizer que os militares deviam entrar no Planalto, tirá-lo de lá e botar Mourão no lugar. Não é boa tese. Em 1964, fizeram mais ou menos assim, prometeram que realizariam as eleições de 1965 e ficaram por 21 anos.

Impeachment?

De novo?

Três em menos de 30 anos?

Vai virar regra.

Bom mesmo era uma interdição por uma junta psiquiátrica.

O presidente é um insano, e insanos não podem governar um país – atestariam os médicos.

Mas isso é só um devaneio do colunista.