Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Bastou um Cabo não-vacinado para ‘fechar’ o plenário da Assembleia Legislativa da Paraíba

A Casa passa uma mensagem péssima: a de que o voto da maioria não vale nada quando se quer relativizar uma decisão.

Foto: divulgação/ALPB
Foto: divulgação/ALPB

Parece brincadeira. Difícil até de acreditar. Mas bastou um Cabo não-vacinado para “fechar” o plenário da Assembleia Legislativa da Paraíba e colocar mais de 50% dos deputados estaduais vacinados para participar das sessões de maneira remota. Os outros 50% já estavam participando das votações por videoconferência.

Cabo Gilberto (PSL) deveria ser impedido, sim, de entrar no plenário porque a maioria aprovou uma resolução que proíbe não-vacinados lá dentro. A Casa passa uma mensagem péssima: a de que o voto da maioria não vale de nada quando se quer relativizar uma decisão. Incrível. Como cobrar o cumprimento da lei nas ruas se dentro de casa não se cumpre?

O parlamentar, eleito democraticamente, representante de uma parte da população, não está proibido de exercer o seu mandato. Pode fazer de casa, da praça, da porta da AL, da garagem. Ele continuará em seu pleno direito de discutir, debater, votar. Então não há que se falar em “intransigência” dos pares, do presidente ou da Mesa Diretora.

O Cabo, líder da oposição, deveria, como legislador, respeitar a lei. Tem direito como qualquer um de não se vacinar, mas quando você desrespeita a legislação que jurou cumprir, perde esse direito. E a Assembleia, Casa das leis, não deveria “rasgar” suas próprias normas, ou melhor, mudar as normas assim. Até porque votou hoje (com maioria) para passar por cima da votação da semana passada.

Até dá para entender o desejo da Mesa Diretora de não “esquentar” o clima de beligerância, mas não há divisão na Casa: é a intransigência de um contra a decisão de todos.

O deputado Adriano Galdino (PSB) vai se reunir com a Mesa Diretora nos próximos dias para decidir o que fazer. Não quer tomar, nem estimular, um decisão intempestiva. Não quer errar na dose, nem ir para o “confronto”. Dá para entender. Não quer perder o direito e, como “mediador”, vai tentar arrefecer os ânimos. Mas também pode pecar por “omissão”.

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O Conselho de Ética vai entrar no circuito. Talvez só para dar respostas à sociedade. Mas que “moral” tem o Conselho, se os próprios parlamentares permitiram a presença dele na sessão ontem (07) e “apagam as luzes” do plenário hoje, por causa dele? Se a maioria concordou, não há o que fazer.

A decisão com a justificativa de “proteger” os parlamentares até é plausível. Mas e os funcionários? Cabo Gilberto vai continuar passeando pelo corredores. Pode fazer um teste diário e mostrar que não está com Covid-19, mas essa não foi a regra votada, aprovada, que virou resolução e está nos anais da Casa.

Vai se vacinar

Cabo Gilberto disse, ontem (05), ao Conversa Política, que iria se vacinar. Entendeu que esse “moído” ideológico não dá em nada. Mas, como qualquer cidadão, deveria tomar a primeira e segunda doses no tempo determinado pelo PNI e só depois disso ir ao plenário. Com 28, 60 ou 90 dias, a depender da vacina que tomar.

Hoje, a deputada Jane Panta (PP), que é médica, teria oferecido uma dose de Janssen para que o colega se vacinasse com apenas uma dose e voltasse ao plenário o mais rápido possível. “Pode isso Arnaldo”? Difícil acreditar. Ninguém queria o desgaste do “conflito”, mas o desgaste desse recuo é inevitável. Os parlamentares que seguiram a norma abriram para quem a infringiu.