Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Após ‘troca de mensagens’, filiação de Bolsonaro ao PL é cancelada sem nova data

Um dos problemas para o presidente é a aliança do partido com o governo de São Paulo, que é do PSDB.

Foto: divulgação
Foto: divulgação

A filiação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao Partido Liberal (PL), marcada para o próximo dia 22 de novembro, foi adiada, sem nova data definida. De acordo com nota do partido, divulgada neste domingo (14), a decisão foi tomada em comum acordo entre Bolsonaro e o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, após “intensa troca de mensagens na madrugada”.

O teor dessas mensagens, no entanto, apontam para troca de farpas entre as lideranças pelo poder de decisão na legenda e um impasse devido à alianças políticas com o governo de São Paulo, atualmente comandado pelo governador e pré-candidato à presidente, João Dória. Em Dubai, Bolsonaro disse que não vê a possibilidade de apoiar “alguém do PSDB”.

Antes da divulgação da data, Bolsonaro havia dito, também em Dubai, que “ainda há muito o que conversar” antes do ato de filiação. De acordo com o presidente, é necessário alinhar pautas “conservadoras, nas questões de interesse nacional, na política em relação ao exterior, na questão de defesa também”.

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Na nota pública, a direção nacional do PL argumenta que ainda estuda outras datas para a realização do evento, a ser anunciada oportunamente. Acredita ainda na filiação de Bolsonaro à legenda, apesar dos descompasso.

O PL é um dos principais partidos do grupo informal da Câmara conhecido como Centrão, com o qual Bolsonaro se aliou e de quem depende para aprovar projetos de interesse do governo e se sustentar politicamente.

Bolsonaro está sem partido desde 2019, após deixar o PSL, partido que o elegeu em 2018, meio a divergências com a cúpula da legenda. O presidente do PSL, Luciano Bivar, também ‘peitou’ o presidente e sua família por tentar “se apropriar do partido”.

Caso a filiação ao PL não vingue, outras duas possibilidades para o presidente seria o Progressista ou o Republicanos. O problema é conseguir convencer aos líderes desses partidos a entregar o comando da executiva nacional ao presidente.