Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Com festão “recheado” de apoios, Efraim vai ao limite da pressão por vaga de senador na chapa governista

O deputado federal reuniu lideranças políticas em festa de aniversário, que serviu para deixar público que a pré-candidatura ao Senado vai existir dentro ou fora do governo João Azevêdo (PSB).

Foto: Divulgação
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O deputado federal Efraim Filho (União Brasil) escancarou, numa festa política recheada de aliados, que a pré-candidatura ao Senado vai existir dentro ou fora do governo João Azevêdo (PSB). Existirá em qualquer cenário, segundo ele, porque foi construída ao longo de mais de um ano.

Continua afirmando que é lá, na base governista, que quer estar, mas se não estiver, já sabe pra onde ir. Espera levar, mesmo que muitos duvidem, apoios que empenharam a palavra de estar com ele. A quantidade de lideranças no evento demonstrou esta musculatura.

Fora da base, tem palanque ao lado de Pedro Cunha Lima (PSDB), pré-candidato ao governo. Pedro e seus correligionários dizem que estão de braços abertos.

Há quem diga que depois do festão de aniversário, nesta sexta-feira (18), recheada de aliados, só não vai ser candidato da chapa de oposição, se o principal adversário na disputa, Aguinaldo Ribeiro (Progressistas) desistir da disputa ao Senado.

Sem recuos, é o que resta ao governo, se quiser ficar com Efraim.

Adriano Galdino (PSB), presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, levou para a festa o argumento de que Aguinaldo não vai para uma disputa se houver o mínimo de risco.

De fato, Aguinaldo adotou um tom de recuo. Em suas redes sociais publicou um vídeo em que pondera que “ninguém é candidato de si mesmo e a decisão final será tomada pelo Progressistas no momento certo”.

O clima 

O clima e os discursos da festa não deixaram dúvida que Efraim não recuará da senatória para ser um candidato a vice, por exemplo, como se desenhou.

Nem muito menos, vai indicar o pai, o secretário governista Efraim Morais, para ser vice, desistir do Senado e tentar reeleição, com a base de Aguinaldo. Afinal, a dele já foi distribuída.

Esperança de todos juntos

Governistas como Hervázio Bezerra, Ricardo Barbosa e Gervásio Maia (todos do PSB) foram ao evento dar os parabéns e levaram o discurso de que todos podem estar juntos. Levaram a mensagem do governador João Azevêdo (PSB) dita no início da semana.

“São duas vagas. Um para ser governador em pouco tempo e tentar um outro mandato sentado na cadeira”, resumiu Hervázio.

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Segundo ele, ainda é possível evitar o rompimento de Efraim com o governo. Basta ter consciência de que o grupo precisa estar unido e que a oposição “reza na igreja para ter um nome bom e conseguir fechar a chapa”.

Gervásio, por sua vez, nem toca na palavra rompimento, e acredita que será possível juntar todo mundo. Resiste com a mesma tese que são duas vagas boas para dois nomes. Bastaria alguém ceder.

Limite da pressão

Efraim chegou ao limite da pressão nessa empreitada para conseguir ser o candidato ao Senado na chapa governista. Depois desta sexta, ou consegue ou rompe com o projeto de Azevêdo.

O curioso é que, no palanque, discursaram os deputados federais Wilson Santiago e, Hugo Mota (ambos do Republicanos), Julian Lemos (União Brasil), os deputados estaduais Adriano Galdino (Republicanos) e Ricardo Barbosa (PSB), além do prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo. Somente Vitor e Julian não declaram apoio a João.

Também estavam presentes o federal Leonardo Gadelha (PSC), os estaduais Tovar Correia Lima e Camila Toscano (ambos do PSDB), Taciano Diniz (União Brasil), Júnior Araújo (Avante) e Buba Germano (PSB) e dezenas de prefeitos e correligionários.

Alguns torcendo pelo rompimento e desembarque na pré-campanha de Pedro. Outros, ainda com esperança de ver um Efraim ou um Aguinaldo cedendo para todos estarem juntos.

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Cardápio variado

O cardápio de bebidas e comidas foi variado. Como pareceu ser as preferências dos aliados do aniversariante.

No discurso, Galdino, por exemplo, exaltou Efraim, João e rasgou elogios a Lula. Vitor Hugo usou todos os bons adjetivos para afagar o aniversariante, mas admitiu tendência de votar em Veneziano (MDB) para o governo. “Porque fez muito por Cabedelo”, afirmou.

Jullian Lemos elogiou o governador, admitiu admiração, mas afirmou, claramente, que não é da base governista. Apoia e envia recursos, principalmente da Segurança, mas não significa que votará em João.

Nas cordas

Agora, não tem muito o que fazer. Depois desse aniversário, com o lema “foguete não dá ré”, sem margem para recuo, ou João Azevêdo desiste de Efraim e o vê no palanque tucano ou “negocia” com Aguinaldo.