João Paulo Medeiros

Deputados relativizam ‘passaporte’ da vacina para colega, mas querem exigência nas ruas. Um contrassenso

Foto: reprodução
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Ficou feio e mal explicado o episódio de hoje envolvendo o deputado Cabo Gilberto (PSL) e a discussão sobre a exigência de ‘passaporte’ da vacina, aprovada na Assembleia Legislativa da Paraíba. Os deputados aprovaram o projeto que exige, dos paraibanos, a apresentação de comprovante de vacinação para o ingresso em ambientes públicos, mas rasgaram uma resolução interna, também aprovada dias atrás, que impedia a entrada de servidores e deputados não vacinados na ‘Casa’.

Um verdadeiro contrassenso.

Na prática, o comportamento dos deputados, cuja maioria votou favorável à permanência de Cabo Gilberto em Plenário, deixou um péssimo exemplo aos paraibanos: o de que as regras, votadas e aprovadas na ‘Casa’, podem ser facilmente desrespeitadas.

O presidente da Assembleia, Adriano Galdino (PSB), ainda ameaçou levar o caso para o Conselho de Ética. Mas a maior parte dos parlamentares preferiu relativizar, para o colega, a necessidade de ‘passaporte’.

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Cabo Gilberto é árduo defensor do bolsonarismo na Paraíba e ainda não recebeu a vacina contra a covid-19. Por opção, evidentemente. Prometeu que será imunizado nos próximos dias.

Para não ficar ainda pior, os deputados decidiram retirar da proposta a parte que autorizava o corte nos salários dos servidores públicos estaduais não imunizados. O trecho, muito provavelmente, seria questionado na Justiça.

Mas o saldo da sessão de hoje foi ruim. Ruim para imagem do ‘Legislativo paraibano’ que terá, em seus anais, mais um capítulo daqueles que nem deveria ter sido escrito.