João Paulo Medeiros

Procura-se um discurso para uma candidatura de Veneziano ao Governo

Foto: Pleno Poder

O senador Veneziano Vital (MDB) é hoje um dos nomes mais cotados para disputar o Governo da Paraíba em 2022. Apesar de ainda ser formalmente aliado do governador João Azevêdo (Cidadania), ele é lembrado como possível candidato de oposição a Azevêdo.

Nunca admitiu a possibilidade de ir para a disputa em 2022, mas aliados próximos já defendem abertamente essa bandeira.

Do ponto de vista eleitoral, o senador é um nome forte para qualquer disputa.

Tem densidade eleitoral, um nome ‘estadualizado’, é vice-presidente do Senado e preside, na Paraíba, um dos partidos com maior tradição – o MDB.

Mas para uma eventual candidatura decolar, falta algo importante: um discurso. Refiro-me a uma tese que possa ser defendida durante a campanha e que possa ter força para convencer o eleitorado paraibano em torno de sua candidatura.

Em campanhas proporcionais, as ‘teses’ são bem menos significativas. Para um embate majoritário, contudo, a existência delas é fundamental.

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E digo isso porque os recentes estremecimentos (nos bastidores) na relação entre Veneziano e Azevêdo, assim como o episódio da mesa, em que a secretária Ana Cláudia deixou a agenda governamental, podem até ser suficientes para um rompimento, mas nem de longe asseguram uma justificativa para carimbar e dar segurança a uma eventual candidatura oposicionista.

O fato de estar na base do Governo até agora, inclusive com a esposa como secretária, enfraquece muito um possível discurso de oposição – há um ano da campanha.

Experiente, o senador certamente sabe disso e tem avaliado os cenários.

Os aliados que inflamam a tese de rompimento com o Governo e defendem uma candidatura emedebista em 2022 precisam, também, encontrar uma tese. Porque, por enquanto, procura-se um discurso para uma eventual candidatura.