João Paulo Medeiros

Uso eleitoreiro das reivindicações da PM coloca em risco a sociedade e prejudica corporação

Tentativa de colocar a tropa contra o Governo repercute na imprensa nacional

Cabo Gilberto em protesto, na sessão da ALPB
Cabo Gilberto em protesto, na sessão da ALPB

A radicalização do movimento dentro das unidades da Polícia Militar é perigosa e não contribui em absolutamente nada para a conquista de avanços da categoria. Os últimos episódios na Paraíba mostram, de forma clara, o uso eleitoreiro das reivindicações dos militares por parte de lideranças políticas.

Vídeos, áudios e um discurso que incentiva a paralisação das atividades e coloca a tropa contra o Governo. As mensagens, inclusive, têm ganhado destaque – negativo – na imprensa nacional.

E ninguém está aqui dizendo que os pleitos apresentados pelos militares paraibanos não são legítimos. Longe disso. As reivindicações são históricas e a dívida, sobretudo com aqueles já inativos, também.

Mas é fato inequívoco também que a gestão estadual demonstrou estar disposta a ouvir e atender os clamores da tropa. E dentro de um processo de negociação, de diálogo, todo mundo sabe: é preciso estar aberto a renúncias e para a compreensão dos argumentos alheios.

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Coisa que os líderes do movimento, em especial o deputado Cabo Gilberto (PSL), não têm demonstrado ter desde o início das discussões.

Busca-se o confronto, em vez do consenso. A impressão é de que não há interesse em solucionar as demandas, mas sim em dar continuidade ao enfrentamento.

O que o movimento e parte dos militares não perceberam ainda é que a politização e a tentativa de paralisar a Segurança Pública na Paraíba colocam em risco a sociedade e prejudicam, e muito, a própria corporação. Isso porque a segurança dos cidadãos não pode servir de ‘moeda de troca’ para um debate eleitoreiro.

Diante da radicalização e de uma ‘greve branca’ os pleitos, antes legítimos, perdem a essência.

A sociedade não pode ser submetida à própria sorte. A opinião pública, que é favorável à valorização da polícia, não aceitará ser ‘produto’ de um conflito infrutífero – com o qual se busca desgastar o Governo, nem que seja às custas do caos social.