João Paulo Medeiros

Bolsonaro, a “cara no fogo” por Milton, e o fim do discurso de Governo sem corrupção

Em março, presidente disse que colocaria a “cara no fogo” por ex-ministro

Presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, assim que os escândalos no MEC começaram a ser revelados, que colocaria “a cara no fogo” pelo então ministro Milton Ribeiro. Hoje, a prisão de Milton sob fortes suspeitas de corrupção, devasta a promessa e a cara do presidente.

Mais que isso.

A prisão do ex-ministro coloca um ponto final num discurso construído por apoiadores do presidente de que no atual Governo não há corrupção.

Nessa tese, aliás, só acreditavam aqueles que são apaixonados pelo presidente. No Brasil, é fato, não há gestão pública imune à essa prática. Nem nos tempos do PT, nem agora com o bolsonarismo.

Horas depois da prisão de Milton, o presidente mudou o tom com relação ao ex-auxiliar. “Ele que responda pelos atos dele”, afirmou. 

A mudança de postura, contudo, não é capaz de reconstruir a narrativa ‘anticorrupção’ fabricada artificialmente pelo Governo. As cinzas desse discurso ficaram espalhadas nos recantos do Planalto.

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Nem mesmo os bolsonaristas mais fervorozos acreditam, após a prisão de hoje, nessa lenda…

A prisão

O ex-ministro da Educação Milton Ribeiro foi preso preventivamente em Santos, litoral de São Paulo. O mandado foi expedido no âmbito da operação “Acesso Pago”, deflagrada da Polícia Federal com o objetivo de investigar a prática de tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos da educação a pastores aliados do governo Bolsonaro.

A PF investiga Ribeiro por suposto favorecimento aos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura e a atuação informal deles na liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), vinculado ao Ministério da Educação (MEC).