Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Restrições nas atividades econômicas na Paraíba precisam vir com medidas para diminuir a “quebradeira”

Por LAERTE CERQUEIRA 

Foto: Artur Lira/TV Cabo Branco

Diante da necessidade de fechar mais atividades econômicas, o que se desenha com a ocupação de leitos púbicos e privados e taxa de contaminação altíssima, o governador da Paraíba, gestores municipais, parlamentares têm uma tarefa paralela primordial para salvar, dar sobrevida e manter a indústria, o comércio e serviços respirando. Principalmente esses dois últimos.

Vão ter que colocar as equipes responsáveis por tributos, créditos, toda a equipe econômica, para pensar como vão auxiliar empresários, empreendedores, microempreendedores, informais diante da iminente quebradeira de negócios, desemprego e miséria. Se não focarem nisso serão omissos, irresponsáveis e negligentes.

Devem cobrar de deputados federais e senadores que pressionem o governo federal a retomar o programa de manutenção de empregos (para ontem), de aumento de créditos com juros baixos e a perder de vista, nos bancos públicos. Se esses bancos não fazem isso, quem vai fazer? Mas tem que ser algo, de fato, realizável. Não pode ser discurso bonito, oficial, para fingir que está fazendo. Os benefícios precisam chegar na ponta.

E, de fato, o setor produtivo tem todos os motivos para ser contra mais restrições de deslocamento. Mais medidas restritivas.

Em um país à deriva como eles vão sobreviver? Manter emprego, segurar o negócio? É o Estado brasileiro, em todas as suas esferas, que deve garantir essa sustentação.

Reféns desse suporte, dessa ajuda, preferem ir para o risco a ver todo um sonho ser destruído por medidas de quem também deve encontrar solução, ao menos permitir que haja um horizonte.

Veja também  Papo Político: déficit habitacional e formas de ocupações urbanas são tema do podcast da CBN Paraíba

Congressistas devem, ainda, exigir a implantação rápida do auxílio emergencial e desbloqueio de recursos da Lei Aldir Blanc (da cultura). São milhares de vulneráveis.

Encontrar junto com parlamentares municipais e estaduais soluções econômicas para ajudar quem vai se quebrar.

Estado e municípios vão ter que reduzir ou renegociar impostos, dar isenções, ajudar de algum jeito. Não podem cobrar consciência coletiva sem acenar para soluções para quem está com a “mão na cabeça”. De fato, a conta não pode ser paga apenas por quem produz, por quem sustenta a economia de uma cidade, de um estado.

Lembrando que caso algumas medidas nesse sentido, adotadas ano passado, ainda estejam em vigor, precisam ser adaptadas para uma realidade ainda mais difícil. Um cenário de “segundo tombo”, com poder de recuperação ainda menor. Por isso, não podem ser adotadas para “empurrar” os problemas (impostos, por exemplo), mas para acabar com eles. Os parlamentos, especificamente nesse caso, não podem se omitir.

O próprio poder público tem que encontrar soluções para, ao anunciar medidas restritivas, garantir uma contrapartida econômica. Como fazer? Tem gente bem paga no governo pra isso. E vamos cobrar essas soluções.

Na falta de um governo federal que assuma essa tarefa, ou que conduza, governadores e prefeitos, legisladores vão ter que assumir para que os afetados possam ao menos dormir.

Se é guerra, tem que ser guerra pra todo mundo e a conta não pode ser paga por uma parte.