COTIDIANO
Morte de bebê abandonado: laudo aponta hipotermia e traumatismo craniano
O caso aconteceu na última terça-feira (19), após moradores do distrito de Cupissura localizarem o recém-nascido entre paredes de duas residências.
Publicado em 22/05/2026 às 16:13
A morte do recém-nascido encontrado abandonado na terça-feira (19), no Litoral Sul da Paraíba, foi causada por hipotermia, traumatismo crânio-encefálico e prematuridade. A conclusão é da autópsia realizada pelo Instituto de Medicina Legal (IML), que teve o resultado divulgado nesta sexta-feira (22).
Apesar da conclusão da autópsia, o corpo do recém-nascido permanece sob custódia do Instituto de Polícia Científica (IPC) para a realização de outros exames que podem auxiliar na investigação do caso.
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A morte do recém-nascido encontrado abandonado entre duas residências é investigada como infanticídio. A informação foi confirmada pela Polícia Civil, após o falecimento do bebê.
A mãe da criança é uma adolescente de 17 anos. Em depoimento à polícia, ela relatou que escondeu a gravidez da família e do namorado por medo da reação dos pais. Segundo a polícia, a jovem vinha tomando chás na tentativa de abortar o bebê. Na madrugada da terça, ela sentiu fortes dores e teve um parto prematuro sozinham no banheiro da casa. Em seguida, ela enrolou o recém-nascido e deixou no local em que ele foi encontrado pela manhã.
Após passar por atendimento no Instituto Cândida Vargas, em João Pessoa, ela foi levada para uma instituição socioeducativa na capital.
Resgate do recém-nascido

O recém-nascido foi encontrado, na última terça-feira (19), após ser abandonado no distrito de Cupissura, entre Caaporã e Alhandra, no Litoral Sul da Paraíba.
O bebê foi encontrado pelos moradores da região, que ouviram barulhos vindos da parede de uma das residências. Inicialmente, a suspeita era de que se tratava de um animal de rua. Após verificar o local, os moradores encontraram o bebê e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Segundo o coordenador do Samu de Caaporã, Janyo Carvalho, o recém-nascido foi resgatado com vida e ainda estava com a placenta. Durante o atendimento médico, foi constatado que o bebê era prematuro e apresentava um quadro grave de hipotermia, arranhões pelo corpo e um trauma no tórax.
Diante da gravidade do caso, ele foi encaminhado para a realização dos procedimentos emergenciais no Hospital Municipal de Alhandra. Após o atendimento emergencial, o bebê foi transferido de helicóptero para o Hospital de Trauma de João Pessoa e, posteriormente, para o Hospital Edson Ramalho.
Conforme o hospital, o bebê apresentava um ferimento corto-contuso na região frontal da cabeça. Durante a tentativa de recuperação, foi realizada sutura no local, mas ele já havia perdido grande quantidade de sangue.
O diretor-geral do Hospital Edson Ramalho, Aluízio Lopes, informou que o recém-nascido apresentou nove paradas cardiorrespiratórias ao longo do atendimento.
“Paciente gravíssimo desde a hora que chegou. Quando se conseguiu controlar minimamente e observar mais o bebê, foi constatado que se tratava de um recém-nascido compatível com 30 semanas de nascido. Só por isso, já se tratava de um paciente grave e que já estava em risco de morte, além de que já estava politraumatizado. Houve nove paradas cardíacas. Tudo que era possível na medicina foi feito para salvar a vida desse paciente, mas, por todo esse contexto, infelizmente o bebê veio a óbito”, disse.
Ainda na terça-feira (19), o Hospital Edson Ramalho confirmou a morte do recém-nascido abandonado.

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