COTIDIANO
Condenado, Antônio Neto Ais da Braiscompany 'reaparece' publicamente em live e nega acusações
Antônio Ais está em prisão domiciliar na Argentina, assim como a esposa Fabrícia Farias, e aguarda processo de extradição.
Publicado em 05/05/2026 às 21:29

O empresário Antônio Neto Ais, em prisão domiciliar na Argentina e condenado pela Justiça por um desvio de R$ 1,11 bilhão pela Braiscompany, voltou a aparecer publicamente em uma live nas redes sociais e negou as acusações.
Tanto ele quanto a esposa dele, Fabrícia Farias, que também era sócia da empresa de criptoativos, não têm previsão de extradição para o Brasil. Os dois já foram condenados pela Justiça a penas de até 88 anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro, após uma investigação da Polícia Federal. A suspeita é de que de cerca de 20 mil clientes tenham sido afetados.
Entre os diversos pontos abordados pelo empresário na live, esteve presente a questão financeira e o esquema investigado. Segundo Antônio Neto, não houve promessas de rendimentos fixos acima do mercado, com o retorno abaixo até de 1% fixo, mas sim variável. Ele ainda afirmou que os contratos feitos são públicos e disse estar colaborando com a Justiça.
"As investigações apontaram que a empresa oferecia rendimento fixo mensal. Quem era nosso cliente sabe muito bem que a empresa, contratualmente, não oferecia nem 1% de fixo mensal (...) Amigo, o nosso contrato é público. A empresa não prometia nem 1% fixo. Era variável", disse.
Essa é a primeira vez que Antonio Neto Ais se pronuncia após o caso de investigação e condenação judicial. Sobre o período em que se manteve afastado de declarações públicas, o empresário afirmou que fez isso como uma forma de se proteger e também de proteger a família que, segundo ele, chegou a sofrer até ameaças.
"Eu parei (de fazer publicações) pela minha família, pelos meus filhos, pela minha esposa, porque diante de tudo o que foi falado, diante de tudo o que foi difundido, e só uma vertente foi falada (...) E eu me mantive em silêncio, acreditando que no momento certo, e continuo acreditando que no momento certo, a verdade virá à tona, como começou a vir", contou.
Sobre, inclusive, eventuais impedimentos de fazer publicações, por ser alguém condenado e que responde a um processo em prisão domiciliar, ele diz que não há nenhum problema com isso e que, se quisesse, poderia fazer.
"Eu não tenho nenhum impedimento judicial de fazer lives, de postar, de usar redes sociais. Inclusive, é um ponto que às vezes me assusta, que quando eu posto alguma coisa, quando eu falo alguma coisa nas redes sociais, existe um frenesi imediato em cima disso, como se fosse algo proibido"
O empresário também anunciou durante a live que em outras oportunidades pretende fazer pronunciamentos explicando outros pontos do processo. A defesa dele havia recorrido da decisão pela extradição da Argentina.
Caso Braiscompany
A Braiscompany foi alvo de uma operação da Polícia Federal no dia 16 de fevereiro de 2023, que teve como objetivo combater crimes contra o sistema financeiro e o mercado de capitais. As ações da PF aconteceram na sede da empresa e em um condomínio fechado, em Campina Grande, e em João Pessoa e em São Paulo.
A empresa, idealizada pelo casal Antônio Ais e Fabrícia Ais, era especializada em gestão de ativos digitais e soluções em tecnologia blockchain. Os investidores convertiam seu dinheiro em ativos digitais, que eram “alugados” para a companhia e ficavam sob a gestão dela pelo período de um ano. Os rendimentos dos clientes representavam o pagamento pela locação dessas criptomoedas.
De acordo com a PF, o casal desviou cerca de R$ 1,11 bilhão e fez mais de 20 mil clientes como vítimas na captação de investimentos para a Braiscompany.
Condenação do 'casal Braiscompany' e demais acusados
No dia 13 de fevereiro de 2024, o juiz da 4ª Vara Federal em Campina Grande, Vinícius Costa Vidor, publicou sentenças do processo que apura o esquema de fraudes na Braiscompany.
Foram condenados o 'casal Braiscompany', Antônio Inácio da Silva Neto (88 anos e 7 meses) e Fabrícia Farias (61 anos e 11 meses), além de outros 9 réus e um montante a ser reparado de R$ 277 milhões em danos patrimoniais e R$ 100 milhões em dano coletivo.

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