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SILVIO OSIAS

Bob Dylan faz 85 anos

O bardo judeu de Minnesota segue na estrada fazendo shows.

Publicado em 20/05/2026 às 8:13


					Bob Dylan faz 85 anos

Na canção popular dos Estados Unidos produzida pela geração que nasceu na década de 1940 e se tornou conhecida mundialmente a partir dos anos 1960, o nome de Bob Dylan pode até não ser o de maior talento musical, mas, sem dúvida, é o mais importante.

Robert Allen Zimmerman, nascido em Deluth, Minnesota, estado da fronteira com o Canadá, no dia 24 de maio de 1941. Bob Dylan - com o Dylan do nome artístico retirado do poeta Dylan Thomas. Dylan, simplesmente, como nós o chamamos. Ou do jeito que ele mesmo canta: "You may call me Bobby"/"You may call me Zimmy".

No próximo domingo, 24 de maio de 2026, festejemos!, Bob Dylan, que Caetano Veloso, em uma de suas canções, chamou de "o bardo judeu de Minnesota", faz 85 anos.

Se você quer conhecê-lo melhor, leia a extensa biografia No Direction Home (no Brasil, A Vida e a Música de Bob Dylan/Larousse), de Robert Felton, que, sem constrangimentos, tanto ostenta as virtudes quanto exibe os defeitos do artista e do homem.

Ou veja o filme que se chama igualmente No Direction Home, um documentário de quatro horas de duração, no qual o diretor Martin Scorsese sintetiza o que Bob Dylan é debruçado apenas sobre os cinco primeiros anos da carreira dele.

Ou, ainda, se deixe arrebatar pelas mais de 1300 páginas de Bob Dylan, Letras 1961-1974 e Bob Dylan, Letras1975-2020, ambos da Companhia Das Letras, com todo o cancioneiro de Dylan traduzido para o português por Caetano W. Galindo.

Há também o volume 1 das Crônicas/Planeta, livro de memórias que decepciona um pouquinho, mas, de todo modo, oferece o poeta fazendo prosa. E, mais recentemente, A Filosofia da Música Moderna/Companhia Das Letras, com ensaios escritos por Dylan.

Para completar, exibida nos cinemas em 2025 e agora disponível em streaming, a cinebiografia Um Completo Desconhecido retrata os anos iniciais de Bob Dylan, de 1962 a 1965, do folk acústico à adoção da guitarra e à natural adesão ao rock.

O que eu disser sobre as melodias nada complexas, as letras extraordinariamente brilhantes, o violão tosco e a voz singular de Dylan já foi dito. Do modo que merece esse cara que ganhou o Nobel de Literatura, em 2016, e pôs em profundo questionamento a tradição do prêmio. Tento, então, oferecer ao leitor algum olhar mais pessoal.

Os quatro números que ele faz no filme The Concert For Bangladesh (no disco, cinco) são deslumbrantes. Têm Leon Russell e os beatles George Harrison e Ringo Starr ao seu lado. Não houve ensaio. Ele voltava de um autoexílio em Woodstock, com a barba por fazer, o cabelo cheio de cachos, a beleza da juventude (acabara de completar 30 anos), um surrado blusão jeans e um violão que, na introdução do número final, parece uma viola nordestina. É Just Like a Woman.

Dylan escreveu centenas de canções. Poucas são tão bonitas quanto esta. "Ah, você finge igualzinho a uma mulher, é verdade/Você faz amor igualzinho a uma mulher, é verdade/Aí você sofre igualzinho a uma mulher/Mas você desmonta igualzinho a uma criança".

São apenas versos de um letrista de canção popular, somente música pop. Vulgar, banal - para tantos. Mas são versos que remetem aos grandes poetas - quando a gente debate se há ou não distinção entre os dois.

E isso dito em seu idioma original? E a ênfase do cantor sobre a palavra "girl" em algumas performances ao vivo?

The Freewheelin' Bob Dylan, seu segundo disco, lançado em maio de 1963, tem uma canção chamada A Hard Rain's a-Gonna Fall. Uma chuva pesada vai cair.

"Eu encontrei um homem que foi ferido no amor/Eu encontrei um outro homem que foi ferido pelo ódio/E é pesada, e é pesada, é pesada, e é pesada/E é uma chuva pesada que vai cair".

Seis meses mais tarde, no dia 22 de novembro de 1963, a pequenina câmera amadora de um anônimo de nome Abraham Zapruder seria a única a registrar o assassinato do presidente John Kennedy, em Dallas.

Mais de 40 anos depois, no documentário No Direction Home, Martin Scorsese juntou os versos da canção premonitória de Bob Dylan com as imagens realíssimas da câmera de Abraham Zapruder. E estas agora estão associadas àqueles.

Dylan foi folk, fez canção de protesto, foi acústico. Dylan largou o folk, a canção de protesto e trocou o violão por uma guitarra Fender. Dylan cantou de cara limpa e com o rosto todo pintado. Dylan é judeu, mas já foi cristão.

No documentário The Last Waltz, Martin Scorsese o filmou lindamente, usando um chapéu e cantando Forever Young. Em 1998, quando vi Bob Dylan ao vivo, bem de perto, e ele cantou Forever Young, uns garotos ao meu lado, no meio da multidão, o saudavam aos gritos, enquanto ele praticamente declamava os seus versos:

"Que você cresça e seja justo/Que cresça verdadeiro/Que saiba sempre a verdade/E veja as luzes que te cercam/Que você tenha sempre coragem/Que fique ereto e seja forte".

Nenhum de nós será jovem para sempre. Bob Dylan agora é um homem velho de 85 anos. Mas o vento continua trazendo e levando as perguntas feitas, em 1963, em Blowin' in the Wind, a mais clássica canção de protesto do jovem Dylan.

As traduções das letras aqui publicadas são de Caetano W. Galindo.

Imagem ilustrativa da imagem Bob Dylan faz 85 anos

Silvio Osias

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