MERCADO EM MOVIMENTO
Paraíba no vermelho: 92 mil empresas negativadas e a 2ª maior dívida média do Nordeste
Setor de Serviços é o que mais sofre com o endividamento e especialistas estão em alerta com o cenário
Publicado em 24/08/2026 às 19:35

A Paraíba fechou o mês de junho de 2026 com 92.381 empresas inadimplentes. É o quinto maior número entre os estados do Nordeste, com dívidas acumuladas de R$ 1,7 bilhão. Mas, quando falamos do valor médio da dívida, o estado pula para a segunda colocação na região, com R$ 18.720,81 por CNPJ. A quantidade média de dívidas não pagas pelas empresas inadimplentes na Paraíba é de 5,6.
O retrato local trazido pela Serasa Experian é um recorte de um país inteiro no vermelho. O Brasil fechou com 9,1 milhões de empresas inadimplentes, acumulando R$ 232,9 bilhões em dívidas negativadas. No Nordeste, são 1.205.713 empresas e R$ 19,7 bilhões em dívidas. E a fila só cresce: em apenas um ano, 1,5 milhão de empresas entraram para a lista de devedores.
Setores mais inadimplentes
Os setores na linha de frente da inadimplência das empresas são o de Serviços e o Comércio, que concentram a maior parte dos CNPJs do país:
Serviços - 55,7% da inadimplência
Comércio - 32,2%
Indústria - 8,0%
Outros - 4,0%.
O que está por trás das dívidas
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82% em julho, o maior patamar da série histórica, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Ele ajuda a explicar a situação das empresas. Com orçamento estourado, o consumidor perde o poder de compra, o que afeta a receita do setor produtivo. Por sua vez, muitas empresas atrasam pagamentos e são negativadas pelos credores. A Taxa Selic, atualmente, está em 14%, mesmo após quatro cortes. O crédito, neste cenário, continua caríssimo e acaba aparecendo como um remédio amargo. Ou seja, em vez de investir em expansão a partir de um empréstimo, as empresas usam o crédito para capital de giro e sobrevivência, de acordo com a economista-chefe da Serasa, Camila Abdelmalack.

O clima no mercado
Se os números já são feios, o humor de quem decide é pior. A XP Investimentos registrou "pessimismo extremo" entre CEOs e investidores na CEO Conference, realizada este mês. E mais um fator que trava a confiança é político: a incerteza fiscal e eleitoral de 2026 deixa o mercado em modo espera. Ninguém quer arriscar antes de saber o rumo da política fiscal. Para o economista Cássio Besarria, as empresas paraibanas têm muitos motivos para se preocuparem. "Os dados apresentados, eles reforçam que esses impactos podem ser maiores aqui no nosso estado, apesar disso refletir uma tendência nacional. Por quê? Porque o setor de serviços e as micro e pequenas empresas, eles representam esse perfil de maiores inadimplentes. E no estado da Paraíba, 95% das empresas são classificadas como de micro e pequenas empresas. Além disso, o setor de serviços representa mais de 70% do PIB do estado. Então, são fatores que lançam o sinal de alerta, especificamente para o estado da Paraíba, em decorrência desse perfil da estrutura produtiva do estado ter forte adesão com aquelas empresas com maiores taxas de inadimplência", afirma Besarria.

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