EDUCAÇÃO
Enem 2026: veja filmes, séries e livros para usar como repertório na redação
Produções como Torto Arado, Adolescência e 1984 ajudam a relacionar temas sociais, tecnologia, saúde pública, desigualdade e meio ambiente a possíveis
Publicado em 02/11/2026 às 17:00

Filmes, séries e livros podem ajudar os candidatos a construir argumentos para a redação do Enem 2026, especialmente quando abordam questões sociais, políticas, culturais e ambientais. Relacionar essas produções a problemas da realidade brasileira é uma estratégia para ampliar o repertório sociocultural e fortalecer a defesa de um ponto de vista no texto dissertativo-argumentativo.
Entre as obras que podem contribuir para a preparação estão títulos como Toy Story 5, O Diabo Veste Prada 2, Adolescência, Torto Arado e 1984. As narrativas permitem discutir assuntos como uso excessivo de telas, precarização do trabalho, saúde mental, vigilância digital, racismo estrutural e desigualdade social.
A escolha do repertório, no entanto, precisa considerar o tema proposto na prova e a relação entre a obra e o argumento apresentado. Não basta citar um filme, uma série ou um livro: o candidato deve explicar como a narrativa contribui para a discussão e demonstrar domínio do assunto. As produções também não garantem que determinado tema será cobrado no Enem.
A professora de redação Josy Kelly trouxe ao Jornal da Paraíba opções diversas para os candidatos e explicações de onde e como pode usar as obras.
5 Filmes que podem ajudar na redação do Enem 2026
As produções a seguir oferecem possibilidades de discussão para diferentes eixos temáticos. A seleção não representa uma previsão dos temas da prova.
1. Toy Story 5: infância e uso de telas

A animação aborda a disputa pela atenção de Bonnie, que passa a se interessar intensamente por um tablet, enquanto os brinquedos tradicionais perdem espaço. A história pode ser relacionada ao uso excessivo de dispositivos digitais na infância, à importância da mediação familiar e à redução das oportunidades de interação social fora das telas.
Na redação, o candidato pode discutir os desafios da educação digital, o papel dos responsáveis na construção de hábitos saudáveis e a necessidade de equilibrar o uso da tecnologia com brincadeiras, convivência e atividades físicas.
2. O Diabo Veste Prada 2: pressão profissional e tecnologia

A continuação da história ambientada no universo da moda e do jornalismo permite discutir as transformações do mercado editorial e os desafios enfrentados pelos profissionais para manter a relevância de uma publicação na era digital.
A produção pode servir de ponto de partida para abordar a sobrecarga de trabalho, a cultura do esgotamento profissional, a cobrança por produtividade e os impactos das mudanças tecnológicas nas profissões. O repertório também pode ser relacionado à necessidade de garantir condições de trabalho dignas em um mercado cada vez mais competitivo.
3. O Outro Lado das Redes: algoritmos e saúde mental

O documentário apresenta questões relacionadas ao funcionamento das plataformas digitais e aos possíveis danos provocados por suas práticas. A narrativa pode contribuir para uma discussão sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia diante dos efeitos de seus serviços sobre a sociedade.
Na redação, o candidato pode explorar a relação entre algoritmos, engajamento e saúde mental, sobretudo entre os jovens. Outros caminhos são a proteção de dados pessoais, a segurança da informação e a necessidade de transparência na atuação das plataformas.
4. Michael: infância, fama e indústria cultural

A cinebiografia de Michael Jackson aborda a trajetória do cantor desde a infância até sua projeção internacional. A história permite refletir sobre as consequências da exposição precoce à fama e às exigências do mercado artístico.
Entre os possíveis temas estão a proteção de crianças e adolescentes no ambiente profissional, a pressão por resultados desde a infância e os efeitos da indústria cultural na construção de ídolos e identidades coletivas.
5. A Odisseia: humanidade e meio ambiente

A adaptação cinematográfica da obra clássica de Homero pode ser relacionada a discussões sobre a relação entre os seres humanos, a natureza e os limites da ação humana.
Em uma redação, o candidato pode utilizar essa abordagem para discutir a crise ambiental, a exploração dos recursos naturais e as consequências sociais dos desastres ecológicos. O debate também pode incluir o racismo ambiental, a desigualdade na distribuição dos riscos e o deslocamento de populações afetadas por eventos climáticos extremos.
5 Séries que podem ser usadas como repertório
1. Adolescência (2025): saúde mental e influência digital

A minissérie acompanha a história de um garoto acusado de matar uma colega e os desdobramentos da investigação. A narrativa abre espaço para discutir a formação de adolescentes, as relações familiares e escolares e as influências do ambiente digital.
A produção pode ser relacionada à saúde mental de crianças e adolescentes, ao isolamento social, à violência entre jovens e aos desafios de identificar sinais de sofrimento psicológico. Também permite abordar a influência de comunidades digitais na formação de comportamentos e a importância de redes de apoio.
2. Emergência Radioativa (2026): fiscalização e riscos sanitários

A série aborda o abandono de um aparelho radiológico e as consequências da falta de controle sobre materiais perigosos. A história pode ser usada para discutir a responsabilidade do poder público e das instituições na prevenção de acidentes.
Entre os eixos possíveis estão a fiscalização ambiental e sanitária, a proteção das comunidades vulneráveis e a importância da divulgação de informações confiáveis durante emergências. O repertório também pode contribuir para uma discussão sobre alfabetização científica e combate à desinformação.
3. The Pitt (2025): desafios da saúde pública

A produção acompanha a rotina de profissionais que trabalham em um pronto-socorro marcado pela alta demanda e pela limitação de recursos. O cenário permite refletir sobre as dificuldades enfrentadas pelos serviços de saúde.
Na redação, a série pode ser relacionada aos desafios do Sistema Único de Saúde (SUS), à necessidade de investimentos em infraestrutura e à sobrecarga dos profissionais. O candidato também pode discutir o acesso desigual ao atendimento e a importância de políticas públicas para garantir assistência de qualidade.
4. O futuro de Bill Gates (2024): inteligência artificial e desigualdade

A produção documental permite explorar questões ligadas ao desenvolvimento tecnológico e aos desafios que acompanham as transformações da sociedade. O repertório pode ser usado em discussões sobre o avanço da inteligência artificial e a distribuição dos benefícios da inovação.
Entre os temas possíveis estão a regulamentação das novas tecnologias, a desinformação nas redes, a concentração de poder econômico e as desigualdades no acesso a ferramentas digitais. Para fortalecer o argumento, o candidato deve explicar a relação entre a abordagem da obra e o problema apresentado na proposta.
5. O Mecanismo (2018): corrupção e serviços públicos

Inspirada em acontecimentos relacionados à Operação Lava Jato, a série aborda investigações de corrupção e relações entre agentes públicos e interesses privados.
A narrativa pode servir de referência para discutir a corrupção, a impunidade e o desvio de recursos públicos, além dos impactos desses problemas sobre a prestação de serviços essenciais. O candidato pode relacionar o tema à transparência administrativa e à importância dos mecanismos de fiscalização e controle.
5 Livros para ampliar o repertório sociocultural
1. Torto Arado, de Itamar Vieira Junior: desigualdade no campo

O romance acompanha as irmãs Bibiana e Belonísia e apresenta a realidade de trabalhadores rurais submetidos a condições de exploração e desigualdade. A obra evidencia a permanência de estruturas sociais marcadas por heranças históricas da escravidão.
Na redação, o livro pode fundamentar discussões sobre racismo estrutural, concentração de terras, exploração do trabalho rural e exclusão social. Também permite abordar as dificuldades enfrentadas por comunidades tradicionais para ter seus direitos reconhecidos e acessar políticas públicas.
2. 1984, de George Orwell: vigilância e manipulação

Publicado em 1949, o romance apresenta uma sociedade submetida ao controle de um regime autoritário, simbolizado pela figura do Grande Irmão. Na narrativa, a vigilância e a manipulação das informações são utilizadas para limitar a autonomia dos indivíduos.
A obra pode ser relacionada à privacidade na internet, ao monitoramento de dados e à disseminação de desinformação. Também oferece caminhos para discutir autoritarismo, liberdade de expressão e os riscos da concentração de poder sobre a informação.
3. Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, de Carolina Maria de Jesus: pobreza e invisibilidade social

No livro, publicado em 1960, Carolina Maria de Jesus registra experiências de sua vida na favela do Canindé, em São Paulo, incluindo a fome, a pobreza e a luta diária para sustentar os filhos.
Por apresentar um relato sobre a desigualdade a partir da experiência de quem a vivencia, a obra é um repertório relevante para discutir insegurança alimentar, exclusão social e marginalização da população periférica. O livro também pode ser usado para refletir sobre a responsabilidade do Estado na garantia de direitos fundamentais, como moradia, alimentação, educação e saúde.
4. Fahrenheit 451, de Ray Bradbury: leitura e pensamento crítico

O romance distópico apresenta uma sociedade em que os livros são proibidos e queimados, enquanto o acesso ao conhecimento é restringido. Nesse contexto, a censura e o controle das informações dificultam o desenvolvimento do pensamento crítico.
A obra pode fundamentar argumentos sobre a importância da leitura e da educação, os riscos da censura e a desvalorização do conhecimento científico. Também permite discutir os efeitos da desinformação e do consumo superficial de conteúdos sobre a capacidade de análise da população.
5. Niketche, de Paulina Chiziane: autonomia feminina

O romance da escritora moçambicana acompanha Rami, que, ao descobrir os relacionamentos extraconjugais do marido, passa a se relacionar com as outras mulheres envolvidas nessa situação. A narrativa aborda relações de poder, desigualdades de gênero e formas de organização familiar.
Na redação, a obra pode ser usada para discutir a emancipação feminina, a permanência de padrões patriarcais e as dificuldades enfrentadas pelas mulheres na busca por autonomia. Também permite refletir sobre a solidariedade feminina e a necessidade de combater a violência e a discriminação de gênero.
Como usar essas obras na redação do Enem
Para transformar uma referência cultural em um argumento consistente, o candidato deve relacionar a obra ao tema da proposta, explicar o problema apresentado e demonstrar como essa referência sustenta seu ponto de vista.
Uma estratégia é organizar o parágrafo em três etapas: apresentar a obra e seu contexto, explicar a relação com o problema discutido e desenvolver a análise com base na realidade social. A simples menção ao título, sem explicação, tende a ter pouco valor argumentativo.
Também é importante evitar associações genéricas. 1984, por exemplo, pode contribuir para uma discussão sobre vigilância digital quando o candidato explica a relação entre o controle retratado no romance e a coleta de dados na sociedade contemporânea. Já Quarto de Despejo pode fundamentar uma análise sobre pobreza quando a referência é conectada à insegurança alimentar e à falta de acesso a direitos básicos.
O repertório sociocultural deve funcionar como apoio à argumentação, e não como substituto da análise do candidato. Por isso, mais importante do que decorar uma lista de obras é compreender os temas abordados, selecionar referências pertinentes e utilizá-las de forma coerente com a proposta de redação.
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