POLÍTICA
Feliciano transferiu controle de empresas para ex-assessora do pai antes de posse no Turismo
As alterações contratuais foram feitas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e constam em certidões oficiais obtidas pelo Jornal da Paraíba.
Publicado em 28/01/2026 às 11:51 | Atualizado em 28/01/2026 às 14:19

Documentos registrados na Junta Comercial da Paraíba mostram que o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, vendeu a totalidade das cotas de pelo menos três empresas e transferiu o controle societário para Soraya Rouse Santos Araújo, ex-assessora de seu pai, o deputado federal Damião Feliciano (União Brasil).
As alterações contratuais foram feitas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e constam em certidões oficiais obtidas pelo Jornal da Paraíba nesta terça-feira (27). Os registros indicam que Soraya passou a figurar como única sócia e administradora das empresas, após a compra das quotas pertencentes ao ministro.

Uma das empresas é a UNIPB – União de Ensino Superior da Paraíba Ltda. Segundo o documento, Gustavo Feliciano transferiu todas as 200 mil quotas, avaliadas em R$ 200 mil, para Soraya Araújo, deixando formalmente a sociedade. A alteração foi registrada em 13 de janeiro de 2026.
Outra empresa é a Sunset Business Ltda, do ramo imobiliário. Nesse caso, o contrato social aponta que Gustavo Feliciano vendeu a totalidade de suas quotas pelo valor declarado de R$ 100 mil. O documento registra que o ministro deu plena e irrevogável quitação pela venda e que Soraya passou a deter 100% do capital social e a administração da empresa.

Situação semelhante aparece nos registros da GCF Construções e Empreendimentos Imobiliários Ltda, também do setor de construção e incorporação imobiliária. A alteração contratual, datada de 22 de dezembro de 2025, indica a venda integral das quotas de Gustavo Feliciano para Soraya Araújo, novamente pelo valor declarado de R$ 100 mil, com transferência completa da administração.
Indícios de irregularidades
Em todos os casos, os contratos deixam claro que Gustavo Feliciano se retirou formalmente das sociedades após a venda das quotas e que Soraya passou a exercer isoladamente a função de administradora das empresas.
De acordo com a reportagem publicada inicialmente no Metrópoles, Soraya Rouse, de 43 anos, atua como uma espécie de "faz-tudo" da família Feliciano e não teria condições financeiras de adquirir as empresas.
O Jornal da Paraíba apurou que ela ganhava pouco mais de dois salários mínimos por mês (R$ 3.529,86) como assessora de Damião na Câmara dos Deputados. Ela atuou como secretária parlamentar de Damião, entre 14 de março de 2023 a 22 de janeiro de 2026, poucos dias depois da ascenção de Gustavo no Ministério de Lula.
A ex-assessora mantém um perfil no Instagram, fechado para o público, mas que é seguido pelo deputado Damião Feliciano.
Outro lado
Procurados pela reportagem, o Ministério do Turismo informou que aguarda o retorno do ministro de uma viagem internacional para se posicionar. O deputado federal Damião Feliciano não respondeu ao questionamento. A reportagem não conseguiu falar com a ex-assessora Soraya Rouse.

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