POLÍTICA
PEC da Segurança Pública: entenda o que muda após aprovação no Senado
Proposta prevê penas mais rigorosas para integrantes de facções e milícias, amplia atribuições da PRF. Redução da maioridade penal ficou de fora.
Publicado em 04/11/2026 às 8:29

O Senado Federal aprovou, nesta terça-feira (3), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que estabelece novas regras para o combate ao crime organizado no Brasil. O texto foi aprovado por unanimidade nos dois turnos de votação, com 73 votos favoráveis no primeiro e 75 no segundo.
A proposta prevê mudanças na atuação das forças policiais, amplia a cooperação entre União, estados e municípios e estabelece punições mais rigorosas para integrantes de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares.
Entre as medidas previstas estão a possibilidade de criação de polícias municipais, a ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e novas regras para o financiamento da segurança pública.
A redução da maioridade penal, que foi discutida durante a tramitação da proposta, ficou de fora do texto aprovado. As emendas sobre o tema passarão a tramitar separadamente.
A PEC 18/2025 foi apresentada pelo governo federal em 2025 e aprovada pela Câmara dos Deputados em março deste ano. Com a aprovação no Senado, o texto será promulgado pelo Congresso Nacional.
O que é a PEC da Segurança Pública?
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública altera as regras constitucionais relacionadas à atuação dos órgãos de segurança no país.
O objetivo é ampliar a integração entre as forças policiais e estabelecer mecanismos para que União, estados, Distrito Federal e municípios atuem de forma conjunta no enfrentamento à criminalidade.
Uma das principais mudanças é a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição Federal.
O sistema já existe por meio de uma lei federal e busca integrar as ações de prevenção e combate ao crime, com compartilhamento de informações e planejamento conjunto entre os órgãos de segurança.
Com a PEC, a cooperação entre os governos passa a ter previsão constitucional.
O que muda para integrantes de facções criminosas e milícias?
A proposta estabelece regras mais rigorosas para integrantes de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares. As punições deverão considerar a posição ocupada por cada pessoa na estrutura dessas organizações.
Entre as medidas previstas estão:
- Cumprimento obrigatório de pena em estabelecimentos de segurança máxima para determinadas lideranças;
- Restrições ou proibição da progressão de regime;
- Limitações a benefícios processuais;
- Possibilidade de confisco de bens relacionados à atividade criminosa;
- Responsabilização de empresas envolvidas nas atividades dessas organizações.
O texto também prevê mecanismos de proteção a denunciantes e seus familiares.
A intenção é atingir não apenas os integrantes diretamente envolvidos em crimes, mas também as estruturas de comando e financiamento das organizações criminosas.
A Polícia Rodoviária Federal terá novas atribuições?
Sim. A PEC amplia as atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Além do policiamento em rodovias federais, a corporação poderá atuar também em ferrovias e hidrovias federais.
A mudança busca ampliar a atuação da PRF no combate ao crime organizado em diferentes meios de transporte utilizados para a prática de atividades criminosas.
Os municípios poderão ter suas próprias polícias?
Sim. A proposta permite que os municípios criem polícias municipais de natureza civil.
As corporações poderão realizar policiamento ostensivo e comunitário dentro dos limites de seus municípios.
A criação dessas polícias deverá seguir critérios de formação, capacidade financeira e organização estabelecidos na legislação.
As instituições também ficarão submetidas ao controle externo do Ministério Público.
A PEC prevê mais dinheiro para a segurança pública?
Sim. A PEC estabelece novas regras para ampliar e dar maior previsibilidade aos recursos destinados à segurança pública.
Uma das medidas prevê que 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) sejam repassados pela União aos estados e municípios, observadas as exceções previstas no texto.
A proposta também determina que 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, ligado à exploração do petróleo do pré-sal, sejam destinados aos fundos da área de segurança pública.
Durante a tramitação no Senado, foi retirado um dispositivo que previa a destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas, conhecidas como bets, para o financiamento da segurança.
O texto também estabelece mecanismos de proteção aos recursos dos fundos nacionais contra bloqueios e desvios de finalidade, com exceções previstas na proposta.
A PEC aumenta a participação do governo federal na segurança?
Sim. A proposta amplia a participação da União na coordenação das políticas nacionais de segurança pública.
O texto estabelece a atuação integrada entre os governos federal, estaduais e municipais, com compartilhamento de informações e planejamento conjunto. A mudança busca permitir que diferentes órgãos atuem de forma coordenada em investigações e operações de combate à criminalidade.
A PEC também prevê a criação do Sistema de Políticas Penais, responsável pela organização das políticas relacionadas ao sistema prisional brasileiro.
A maioridade penal foi reduzida?
Não. A PEC da Segurança Pública foi aprovada sem mudanças na maioridade penal, atualmente fixada em 18 anos.
Durante a discussão no Senado, parlamentares apresentaram emendas para reduzir a idade de responsabilização penal para 16 anos ou até 14 anos, em determinadas situações.
Uma das propostas, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), previa a redução para 16 anos como regra geral e para 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas. Outra emenda, apresentada pelo senador Camilo Santana (PT-CE), propunha a redução para 16 anos apenas em casos de crimes hediondos.
O relator da PEC, senador Rogério Carvalho (PT-SE), não incorporou as propostas ao texto principal.
Por 38 votos a 36, o Senado aprovou o desmembramento das emendas, que passarão a tramitar como propostas autônomas.Com isso, a redução da maioridade penal poderá ser discutida separadamente, sem alterar o texto da PEC da Segurança Pública aprovado nesta terça-feira.

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