Camila Esposte
Láuriston Pinheiro

Por que estão ocorrendo tantos vazamentos de dados no Brasil?

Casos como os recentes megavazamentos e ataques cibernéticos são cada vez mais frequentes.

Vazamento de dados aumentou quase 400% em 2020. Foto: Fly. D/Unsplash

 

Mais de 4,6 bilhões de dados foram vazados em todo o mundo apenas no primeiro semestre de 2021, de acordo com a empresa de segurança digital PSafe.

Este número representa um aumento de quase 400% em relação a 2019, ano anterior à pandemia do coronavírus.

Em 2020, 9,95 bilhões de dados foram expostos, e 2021 caminha para superar essa marca.

No Brasil, só entre janeiro e junho deste ano, a plataforma consumidor.gov.br, do Governo Federal, recebeu mais de 47 mil reclamações sobre vazamentos.

Segundo a Secretaria Nacional do Consumidor, do Ministério da Justiça, o primeiro semestre deste ano já acumulou mais reclamações do que todo o ano de 2020.

 

Megavazamentos impactam a população

Diversos casos recentes impactaram e alarmaram a população, como o que ocorreu em janeiro e expôs informações sobre 220 milhões de brasileiros.

Os dados, considerados sensíveis, incluíam nomes completos, datas de nascimento, CPFs, sexo, endereços residenciais e os nomes das mães de pessoas vivas e já falecidas.

Poucos meses depois, outro vazamento expôs fotos de documentos de milhares de pessoas.

Recentemente, hospitais e redes varejistas também têm sofrido ataques importantes.

Mas o que está ocorrendo e por que esses casos parecem cada vez mais frequentes?

“Importante ressaltar que, apesar de parecer que tem sido cada vez mais ‘fácil’ a ação dos criminosos, não existe ataque fácil, existe ataque planejado.

Veja também  MRV desenvolve novo portal de conteúdo focado em utilidade e inspiração sobre o universo do morar

Tudo depende muito de como os hackers têm acesso à informação. Podem acontecer via arquivos recebidos por email, em que a máquina do usuário fica exposta, liberando acesso a tudo”, explica Fellipe Guimarães, CEO da Codeby, empresa de tecnologia.

Segundo Fellipe, fatores como a falta de adequação das empresas à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) podem viabilizar os ataques.

“Esses acontecimentos devem ocorrer com tanta frequência por alguns motivos, como a falta de profissionais de tecnologia especializados em segurança da informação, a ausência de testes para garantir a segurança dos sistemas, e até mesmo a falta de adequação à LGPD, em que processos simples, como encriptação de dados para evitar a exposição, ainda não foram implementados”.

 

O que fazer caso os dados vazem?

E o que o cidadão pode fazer para se defender caso seus dados sejam expostos?

“Após o vazamento, infelizmente, não há muito o que ser feito. A alternativa viável é alterar todas as senhas cadastradas em sites, evitando que ainda mais dados sejam vazados.

Além disso, uma orientação muito importante é: sempre tenha muito cuidado com fontes não confiáveis que dizem ter como consultar se o seu dado foi vazado, pois muitas vezes essa é só mais uma forma alternativa de colher dados.

O melhor remédio nesses casos realmente é a prevenção.”, explica Fellipe.

Caso haja danos concretos e prejuízos reais (como dívidas em nome da vítima que teve dados expostos, por exemplo), é possível entrar na justiça com um pedido de indenização por danos morais.