Maradona é daqueles caras que a gente ama mesmo sem gostar de futebol

Não gosto de futebol. É um dos meus defeitos.

Mas tenho admiração profunda por alguns craques.

Pelé em primeiríssimo lugar. O atleta genial a sobrepor-se sempre aos defeitos do homem.

Maradona está por perto na lista dos maiores de todos os tempos.

Pelé, pelo conjunto do que foi em campo, do atleta perfeito.

Maradona, pela soma do jogador extraordinário com o que foi quando não estava com a bola nos pés.

O mito passa por esta adição.

Pelo cidadão progressista.

Pelo cara de grandes transgressões.

Pelo homem cujos excessos aos poucos minou completamente a sua saúde.

Pelo “malandro” que invocou Deus para justificar uma travessura na hora do gol.

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Maradona, esse mito poderosíssimo do futebol, é tudo isto. O bem e o mal, as virtudes e os pecados, os acertos e os erros. O profundamente humano.

Jogando bola, então, é estrela de primeiríssima magnitude.

Quem viu ao vivo aquela Copa do Mundo de 1986, no México, sabe do que estou falando.

Quem viu aquele jogo Argentina X Inglaterra, numa inesquecível tarde de domingo, há de entender a que me refiro.

Maradona acabou de fazer 60 anos, 20 a menos do que o nosso Pelé.

Dias atrás, fez uma cirurgia na cabeça.

A sua morte, de uma parada cardiorrespiratória, nos surpreendeu e nos entristece.

Maradona é daqueles caras que a gente ama até quando não gosta de futebol.