QUAL A BOA?
Memórias da Folia: Muriçocas do Miramar é bloco sem cordão de isolamento; ‘É do povo’, diz Fuba
Bloco que desfila nesta quarta-feira (27), em João Pessoa, chega a sua 39ª edição.
Publicado em 26/02/2025 às 16:14 | Atualizado em 26/02/2025 às 17:36
Fuba, um dos fundadores das Muriçocas do Miramar, espera que o bloco, que chega aos 39 anos em 2025, nunca adote cordões de isolamento. A declaração foi dada à TV Cabo Branco, em uma reportagem especial sobre o bloco que anima a 'Quarta-Feira de Fogo' em João Pessoa .
“A gente não pode entregar as Muriçocas a uma pessoa que queira ‘ah, vamos colocar agora cordão de isolamento’. Isso não existe, né? Nosso bloco nasceu sem essa visão mercantilista e eu espero que continue, né. Novas gerações que vierem tomar conta futuramente, continuem com essa visão, certo? De ser uma coisa popular, feita para o povo. As Muriçocas é do povo”.
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O bloco, que surgiu no bairro do Miramar, hoje é um dos mais tradicionais do Folia de Rua de João Pessoa. A iniciativa nasceu entre os amigos Fuba, Vitória, Bob e Roberto Zagre, da necessidade de manter a energia carnavalesca na cidade, mesmo quando a maioria se ausentava.
Quem também conversou com a TV Cabo Branco foi o cantor, compositor e ator Juzé. Ele afirmou que as Muriçocas do Miramar tem uma grande influência em sua relação com a arte. “A minha bagagem cultural, eu devo realmente muita coisa à história que se que se sincroniza com esse bloco, né? Que tem uma sintonia com o bloco na minha vida”.
Juzé conta que desfilou nas Muriçoquinhas, versão do bloco para as crianças, em 1994. Aos 14 anos, já passou a participar do tradicional desfile das Muriçocas do Miramar. Este ano, Juzé é uma das atrações confirmadas.
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Além de Juzé e Fuba, este ano, o Muriçocas do Miramar tem Nattan, Fuba, Capilé, Trio Maravilha, Valdonato e Raifi. Também se apresentam o tradicional Boi da Macuca, de Pernambuco, o Maracatu Nação Pé de Elefante, As Calungas, Baque Mulher, Urso Amigo Batucada, entre outros grupos de cultura popular.
A homenageada desta edição é a atriz Zezita Matos.
Como nasceu o bloco Muriçocas do Miramar
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Segundo Fuba, um dos idealizadores, a iniciativa nasceu da necessidade de manter a energia carnavalesca na cidade, mesmo quando a maioria se ausentava. "A ideia era fazer um bloco antes da semana em que o Brasil comemora o Carnaval, porque, neste período, muitas pessoas da capital costumam viajar para outras cidades", relembra.
O nome, escolhido com muita criatividade, faz alusão ao inseto que é marcante no bairro do Miramar. Com seu inconfundível "zum zum zum", a muriçoca acabou ganhando vida e identidade própria, simbolizando a presença vibrante e constante da cultura popular na região.
Outro marco importante na história das Muriçocas do Miramar foi a criação do seu hino. Na mesma noite em que a fundação do bloco foi decidida, Fuba atendeu ao pedido de Vitória para compor a música que, até hoje, embala os desfiles. Gravada em uma fita cassete, a canção tornou-se símbolo da identidade e do espírito irreverente que caracterizam o grupo.
Estandartes do Muriçocas
Os estandartes das Muriçocas sempre são parte importante do desfile. O primeiro foi feito pelo artista Zé Altino, mas, durante esses 39 anos, outros artistas paraibanos assinaram o estandarte do bloco, como Flávio Tavares e Marlene Almeida.
“A gente tá completando 39 anos, são 39 estandartes, né? Então, eu vejo ali uma coisa que eu não vejo em Carnaval nenhum do Brasil. É uma exposição itinerante de 39 artistas a partir de desse ano, né? Que sai pela venda né? Artistas como Flávio Tavares, Sérgio Luceina, Marlene Almeida, enfim, são vários artistas que que estão dando a sua contribuição e ao mesmo tempo, criando um patrimônio, né? É um patrimônio. Patrimônio da arte paraibana, não se trata apenas de um bloco de Carnaval, é um movimento cultural”, celebrou Fuba.
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