SAÚDE ALERTA
Verão sem trégua: sol, pele e os mitos que podem te colocar em risco
Publicado em 15/01/2026 às 8:07

Mesmo quando o dia amanhece nublado, o verão na Paraíba continua intenso — e isso engana. A temperatura pode até parecer mais “amena”, mas a radiação ultravioleta (UV) não depende do que a gente sente na pele. Ela não tem cheiro, não tem aviso sonoro e, muitas vezes, atravessa o dia como um perigo silencioso.
Quando se fala em sol, o medo mais lembrado é o câncer de pele. E ele é, sim, um problema importante. Mas a história não para aí. O excesso de sol também acelera o envelhecimento da pele, piora manchas (como o melasma), aumenta o ressecamento, favorece o aparecimento de “vasinhos” e pode agravar algumas doenças dermatológicas. Ou seja: não é só estética. É saúde.
O SOL É O PRINCIPAL VILÃO DA PELE?
Sim — e por um motivo simples: ele é o agressor mais constante. O sol não aparece só na praia. Ele está no caminho do trabalho, no treino ao ar livre, na caminhada até o mercado, na volta rápida para casa. A pele soma tudo.
A radiação UV é medida por um índice internacional. Quando esse índice fica em níveis muito altos, o risco de queimadura e dano à pele aumenta bastante. E aqui vale um alerta: dia nublado não significa dia seguro. Nuvens não bloqueiam completamente a radiação UV. O erro mais comum é relaxar e ficar mais tempo exposto.
O DANO É IMEDIATO… E TAMBÉM É ACUMULATIVO
A queimadura solar é o sinal mais óbvio: vermelhidão, ardor, dor ao toque, descamação. Mas o problema do sol é que ele também deixa um dano “invisível” que vai se acumulando. É por isso que alguns efeitos aparecem anos depois: pele mais envelhecida, mais manchada, mais sensível, e maior risco de lesões pré-cancerosas e câncer de pele.
INSOLAÇÃO: O RISCO QUE MUITA GENTE SUBESTIMA
No verão, o sol não ameaça só a pele. Existe a insolação, quando o corpo perde a capacidade de controlar a própria temperatura. Não é “só passar mal de calor”. Pode evoluir com dor de cabeça forte, tontura, fraqueza, náusea, pele muito quente, confusão mental, sonolência e até desmaio. Se houver sinais de gravidade, é situação de urgência.
COMO EVITAR INSOLAÇÃO NA PRÁTICA
Evite ficar exposto no horário mais forte do sol, hidrate-se antes de sentir sede e use proteção física: sombra, chapéu, roupas leves e, quando possível, roupas com proteção UV. Se começar a sentir tontura, mal-estar, dor de cabeça ou náusea, pare, vá para a sombra, resfrie o corpo e beba água. Se houver confusão, desmaio, vômitos persistentes ou piora rápida, procure atendimento.
OS ERROS MAIS COMUNS COM A PELE NO VERÃO
- Passar protetor “fininho”, como se fosse perfume. Pouca quantidade protege pouco.
- Passar só uma vez e achar que resolveu. Protetor precisa ser reaplicado, especialmente se houve suor, banho de mar ou piscina.
- Esquecer áreas importantes: orelhas, nuca, pescoço, mãos, pés e lábios.
- Achar que bronzeado é sinônimo de saúde. Bronzeado é resposta de defesa da pele, sinal de agressão.
- Só se proteger na praia. O sol do dia a dia soma: rua, trânsito, caminhada, esporte.
- Deixar crianças e idosos sem rotina de proteção. São grupos mais vulneráveis ao calor e ao sol.
TIRA-DÚVIDAS DO LEITO
“Dia nublado precisa de protetor?”
Precisa. O calor pode diminuir, mas a radiação UV pode continuar forte. E o risco aumenta porque a gente fica mais tempo exposto sem perceber
“Qual FPS é suficiente?”
Para a rotina, o importante é escolher um protetor adequado para sua pele, usar uma quantidade boa e reaplicar. No geral, FPS 30 ou maior costuma ser uma referência segura para o dia a dia, desde que bem aplicado.
“Resistente à água dura o dia todo?”
Não. “Resistente” não significa “eterno”. Água, suor e atrito reduzem a proteção. Por isso a reaplicação é necessária.
“Pele morena ou negra precisa?”
Precisa. A melanina oferece alguma proteção, mas não impede manchas, envelhecimento e não elimina risco de câncer de pele. Proteção é para todos.
“Quais sinais são de alerta para procurar dermatologista?”
Pinta que muda de cor, forma ou tamanho; ferida que não cicatriza; lesão que sangra com facilidade; mancha nova que cresce ou incomoda. Se algo está diferente do seu padrão, vale avaliar.
MITOS DE VERÃO SEM EVIDÊNCIA (E QUE PODEM FAZER MAL)
“Óleo bronzeador protege.”
Não protege como protetor solar e pode aumentar a radiação recebida. Se a ideia é segurança, o caminho é protetor + barreira física + sombra.
“Passar limão, pasta de dente, refrigerante ou ‘receitas caseiras’ melhora queimadura.”
Não melhora e pode irritar mais a pele. Queimadura solar é lesão: precisa de cuidado adequado. Se for intensa, procure orientação.
“Se não queimou, não fez mal.”
Fez, sim. Existe dano cumulativo mesmo sem vermelhidão evidente, especialmente quando a exposição é repetida.
“Qualquer óculos escuro protege.”
Óculos escuros sem proteção UV podem ser enganosos. O ideal é lente com proteção UV.
O “SEGREDO” PARA CURTIR O VERÃO COM TRANQUILIDADE
Não é neurose. É rotina simples: sombra sempre que der, barreira física (camisa, chapéu, óculos) e protetor solar como hábito diário, com reaplicação quando necessário. A pele não é só um “cartão de visita”. É um órgão que te protege o tempo inteiro — e o verão é o teste de estresse dela.

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