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SILVIO OSIAS

Ave! Comemoremos! A Noite Americana está de volta à tela grande do cinema

Filme encerra a Mostra Truffaut, que o Cine Banguê exibe de 23 a 31 de janeiro.

Publicado em 21/01/2026 às 6:05 | Atualizado em 21/01/2026 às 7:25


				
					Ave! Comemoremos! A Noite Americana está de volta à tela grande do cinema
Foto/Reprodução.

A Noite Americana,mais de 50 anos depois de sua estreia, está de volta à tela grande de um cinema em João Pessoa. O filme vai encerrar a Mostra Truffaut, que o Cine Banguê exibe de 23 a 31 de janeiro. No final da coluna, tem o programa completo da mostra.

A Noite Americana, que vi na estreia, em 1974, é um filme sobre cinema que François Truffaut, uma das cabeças da Nouvelle Vague, realizou em 1973.

O título - noite americana - vem de um efeito usado nos estúdios de cinema. É quando, com a utilização de filtros, uma cena noturna é filmada durante o dia.

Em inglês, noite americana é day for night. E foi assim - Day For Night - que o filme de François Truffaut se chamou quando lançado nos Estados Unidos.


				
					Ave! Comemoremos! A Noite Americana está de volta à tela grande do cinema
Foto/Reprodução.

Em A Noite Americana, há um filme dentro de um filme, e este se chama Eu Vos Apresento Pâmela. A Noite Americana se passa num pequeno estúdio na França e acompanha as filmagens de Eu Vos Apresento Pâmela.

Em Pâmela, um jovem casal vai visitar os pais dele, e o sogro se apaixona pela nora. O romance é mostrado apenas superficialmente, e o desfecho é trágico.

Quem intepreta o casal é Jean-Pierre Léaud, o alterego de Truffaut no ciclo Antoine Doinel, e Jacqueline Bisset, que, àquela altura, era uma estrela em Hollywood.

Quem dirige Pâmela é um cineasta chamado Ferrand. Quem faz o papel de Ferrand é o próprio François Truffaut, que também gostava de atuar como ator.

Na foto que abre a coluna, Alphonse/Léaud e Julie/Bisset recebem instruções de Ferrand/Truffaut durante as filmagens de Eu Vos Apresento Pâmela.

François Truffaut tinha 41 anos quando realizou A Noite Americana. Na juventude, migrara com êxito absoluto da crítica de cinema para a realização de filmes.

Ao lado de Jean-Luc Godard, fundou a Nouvelle Vague, onda que, a partir da França, revolucionou o cinema do mundo na virada da década de 1950 para a de 1960.

Mas Jean-Luc Godard e François Truffaut estiveram sempre em lados opostos. Godard fez cinema de ruptura, de reinvenção. Truffaut trabalhou com modos mais clássicos de construção das narrativas. Ambos, imprescindíveis.

Em A Noite Americana, Ferrand tem um sonho recorrente, apresentado em fragmentos. Eles vão se juntando e, por fim, mostram um garoto roubando os cartazes de Cidadão Kane, de Orson Welles, na frente de um cinema.

O sonho do menino Ferrand pode ser interpretado como um retrato do instante em que o cinema salvou o menino Truffaut da marginalidade.

Dizem, muito comumente, que A Noite Americana é uma declaração de amor ao cinema. A Noite Americana é sobre o amor de um homem pelo seu ofício.

*****

MOSTRA TRUFFAUT

Cine Banguê/23 a 31 de janeiro

A NOIVA ESTAVA DE PRETO

Sexta, 23, 17h

OS INCOMPREENDIDOS

Sábado, 24, 15h

DE REPENTE, NUM DOMINGO

Domingo, 25, 15h

BEIJOS ROUBADOS

Segunda, 26, 18h

A MULHER DO LADO

Segunda, 26, 20h

FAHRENHEIT 451

Terça, 27, 17h

A SEREIA DO MISSISSIPI

Quarta, 28, 20h

O ÚLTIMO METRÔ

Quinta, 29, 20h

O QUARTO VERDE

Sexta, 30, 16h

A NOITE AMERICANA

Sábado, 31, 17h

Foto/Reprodução

Silvio Osias

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