PLENO PODER
Escândalo do Padre Zé: Ministério Público paralisa diante de núcleo político investigado
Primeira denúncia envolvendo secretários do Estado foi apresentada há um ano, mas novas ações não surgiram
Publicado em 03/02/2026 às 9:06

Era novembro de 2023 quando o desembargador Ricardo Vital, do Tribunal de Justiça da Paraíba, determinou a prisão do padre Egídio de Carvalho e de duas ex-diretoras do Hospital Padre Zé, em João Pessoa. A ação foi batizada de 'Operação Indignus', fruto de investigações do Gaeco, do Ministério Público estadual, e da Polícia Civil.
De lá para cá, pelo menos 6 denúncias foram protocoladas na Justiça e tiveram como alvo o religioso - apontado como chefe no suposto esquema que teria desviado R$ 140 milhões da unidade.
Um dos processos, que apura a apropriação indébita de aparelhos celulares doados pela Receita Federal, está concluso para julgamento. Os demais ainda estão em fase de audiências e diligências.
Para a execução de boa parte dos desvios os investigados teriam utilizado recursos de convênios firmados com o Governo do Estado por meio do Programa Prato Cheio. De acordo com o Gaeco, entre 2021 e 2023 o programa teria destinado mais de R$ 21 milhões às instituições administradas por Egídio para distribuição de comida para moradores de rua de diversas cidades.
Os dados estão contidos em uma denúncia apresentada em novembro de 2024, mas que só foi tornada pública em janeiro de 2025. Há um ano, portanto.
Nela foram denunciadas 16 pessoas, entre elas os secretários do Estado Tibério Limeira e Pollyanna Werton. Os dois teriam, supostamente, recebido propina do 'esquema' do Padre Zé. Eles negam envolvimento em qualquer irregularidade.
Na denúncia de 69 páginas, em três momentos, os promotores afirmam que "os desvios, atos de corrupção e demais crimes ínsitos ao referido vínculo contratual, narrados como forma de elucidar os crimes antecedentes e historiar a participação na ORCRIM, serão objeto de denúncia autônoma".
Há, inclusive, um fluxograma de atuação de vários núcleos em torno dos desvios. Um deles, o núcleo político.

Pelo que apurou o Blog à época, o envolvimento dos dois auxiliares do Governo e de outros servidores, vinculados à gestão estadual, seria pormenorizado e amplificado em outras ações penais. No entanto, depois de mais de um ano, essas ações ainda não foram apresentadas.
Uma paralisia péssima para a imagem do Gaeco e do Ministério Público. Que faz surgirem dúvidas quanto à independência da instituição e sua forma de atuação - algo que não coaduna com o histórico do MP paraibano.
O avanço das imputações sobre o núcleo institucional e empresarial, investigados no caso, foi evidente; enquanto a paralisia do MP quanto ao núcleo político é visível. A interrogação existente, há meses, é por que o MP paraibano não apresentou as novas denúncias, envolvendo servidores públicos ligados ao Governo do Estado? Se essas denúncias existem, em qual gabinete elas estariam 'adormecidas'?
O Blog procurou essa semana o Ministério Público sobre o tema e enviou à Assessoria de Imprensa da instituição alguns questionamentos, mas nenhum esclarecimento foi feito. Com a palavra, o Gaeco e a Procuradoria Geral de Justiça.

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