CONVERSA POLÍTICA
OPINIÃO: Outra vez, a ALPB "se esconde" em sessões virtuais fracas, protocolares e improdutivas
Os que estão dispostos a ir para o embate presencial saudável se prejudicam.
Publicado em 03/02/2026 às 11:06 | Atualizado em 03/02/2026 às 11:35

Mais um vez, a Assembleia Legislativa da Paraíba retoma os trabalhos de maneira remota, nesta terça-feira (3), por causa de uma reforma. Por lá, as paradas para reconstruções em áreas do prédio são incontáveis, nos últimos anos, e sempre prejudicaram os trabalhos presenciais.
Depois da pandemia, o modelo virtual se fortaleceu total ou parcialmente. Foi uma alternativa. Mas para alguns, passou a ser regra.
O período pandêmico acabou e o Legislativo paraibano volta e meia "se esconde" atrás das telas, em sessões virtuais fracas, protocolares, insossas e improdutivas.
Usamos o termo "se esconde" porque todos nós que já cobrimos os trabalhos da ALPB sabemos que alguns parlamentares aceitam silenciosamente o método para sumir com suas opiniões, para evitar entrevistas, para sentar no seu lugar de conforto e não prestar conta do trabalho.
É um lugar tranquilo para desligar o microfone das polêmicas, perder o sinal quando deveria se posicionar. E, neste ano, uma boa solução para priorizar a campanha à reeleição em detrimento de debater e questionar sobre incômodos de hoje.
Sem falar que as sessões remotas enfraquecem o debate público sobre os nossos problemas.
Há alguns anos, temos um Legislativo que discute pouco, omite-se ao debate de questões sociais latentes, envolve-se quase nada com as angústias dos "sem água", dos sem moradia, dos que sofrem com a desigualdade, com a insegurança pública.
E, ainda, estão distantes do debate sobre leis descumpridas (como a do Gabarito), atraso de obras, das reivindicações de categorias, como professores e servidores da UEPB e profissionais da segurança.
Por outro lado, aqueles que estão dispostos a ir para o embate presencial saudável se prejudicam. São obrigados a aceitar uma presença virtual que não tem a mesma repercussão dos encontros cara a cara.
Não há dúvida que é uma Casa Legislativa capenga em suas funções. As sessões remotas ampliam a fragilidade.
Não é bom falar isso. Pilar de um sistema democrático, ela precisaria estar forte. A população deveria ter nela um lugar de segurança e referência na luta pela transformação social. Não está sendo assim.

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