MERCADO EM MOVIMENTO
Pet shops de bairro viram protagonistas em um setor de bilhões
Com avanço de 22% na abertura de pequenos negócios, mercado pet mira serviços, alimentação e um novo motor: os gatos.
Publicado em 09/02/2026 às 19:54

Com 167 milhões de animais de estimação, o Brasil tem o terceiro maior mercado pet do mundo. São 67 milhões de cães, mais de 40 milhões de aves e 33 milhões de gatos, fora outros bichos. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABINPET), 56% dos domicílios brasileiros têm pelo menos um cão ou gato. O setor pet do país vive uma fase de expansão puxada por consumo recorrente, serviços de maior valor e um público cada vez mais exigente. Um levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal mostra que, entre 2023 e 2025, a abertura de pequenos negócios no setor cresceu 22%. Foram criadas 41,6 mil pequenas empresas voltadas ao universo pet. O ritmo de aberturas acelerou ano a ano: 12,7 mil em 2023, 13,3 mil em 2024 e 15,5 mil em 2025. Do total, 91% dos novos negócios são MEI, retrato de um segmento que segue pulverizado e com espaço real para o pequeno empreendedor.

Setor movimenta bilhões
O ambiente de negócios é sustentado por um mercado robusto. A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) aponta que o mercado pet brasileiro movimenta cerca de R$ 77 bilhões, reforçando por que o segmento virou alvo de novos empreendedores, especialmente em alimentação, serviços e varejo especializado. Uma das explicações para o avanço do setor está na transformação do perfil dos tutores, especialmente de gatos. Eles crescem cerca de 2,5% ao ano, cuidando de uma população de aproximadamente 33 milhões de gatos, e consolidando os felinos como o segmento pet que mais cresce no país.
Na prática, isso muda o jogo: cresce a demanda por areias e granulado, itens de enriquecimento ambiental, arranhadores, brinquedos, ração específica, além de serviços e produtos ligados a bem-estar. Aquele antigo preconceito de que o gato não é companheiro está ficando para trás. Empresários do setor também relatam o novo comportamento e dizem que o tutor de gatos está mais informado, mais exigente e disposto a gastar mais quando encerga qualidade.

Na Paraíba, o crescimento do setor também aparece em números. Dados do Sebrae Paraíba indicam que o estado conta com 1.407 pet shops, sendo 820 em João Pessoa, o que representa 58% do total. O setor movimenta diversas áreas da indústria, serviços e, claro, o comércio:
- Alimentação: maior fatia do faturamento do setor (55%). É compra recorrente e muito sensível a preço, marca e conveniência (assinaturas e entrega crescem).
- Produtos e serviços veterinários: vacinas, antiparasitários, exames, cirurgias, internação e especialidades, laboratórios, imagem, reabilitação/fisioterapia e atendimentos móveis.
- Higiene e beleza: banho e tosa, hidratação, estética e ozonioterapia.
- Varejo pet: pet shops e e-commerce.
- Acessórios e “Lifestyle” Pet: brinquedos, camas, coleiras, roupas, caixas, arranhadores.
- Hotelaria: creche e daycare.
- Adestramento e comportamento: nicho em expansão, puxado por tutores que buscam convivência melhor e redução de problemas.
- Planos de saúde/Seguro pet: ainda menor, mas cresce por causa da previsibilidade de custo e adesão de tutores que querem diminuir despesas veterinárias.
- Pet tech: aplicativos, rastreadores, assinaturas. Segmento emergente.

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