COTIDIANO
Moradores relatam insegurança após ataque a tiros em Santa Rita: "Isso faz a gente sair de casa"
Santa Rita registrou 95 homicídios durante 2025. Ataque a tiros é investigado como sendo oriundo de disputa entre facções criminosas.
Publicado em 16/02/2026 às 19:50 | Atualizado em 16/02/2026 às 20:14

Após um ataque a tiros que deixou três mortos e seis pessoas feridas em Santa Rita, na Grande João Pessoa, no último domingo (16), moradores da cidade relataram a violência cotidiana na localidade. A Polícia Civil investiga a chacina como sendo oriunda da disputa de facções criminosas.
Para a TV Cabo Branco, um morador da cidade disse que se sente inseguro e contou que teve que sair da casa própria, onde morava, para um imóvel alugado, por conta da insegurança. Ele não quis se identificar.
"Falta segurança, falta tudo. Muito tiro está tendo ultimamente. Isso faz a gente sair da nossa própria casa para pagar aluguel em lugar mais tranquilo. Já por conta dos meus filhos não ver o que estava acontecendo frequentemente", disse.
Dados do Ministério da Justiça, em 2025, mostram que a Paraíba registrou 900 homicídios no período, e Santa Rita foi a segunda cidade com mais registros de casos no estado, somente atrás de João Pessoa. 446 homicídos desse total se concentram em cidades da Grande João Pessoa. Veja abaixo a lista completa.
Um outro morador, que também não quis se identificar, comentou sobre o policiamento na cidade. Conforme ele, não há um patrulamento recorrente.
"Santa Rita está sem segurança de nada. Em relação ao policiamento, está muito pouco, pouco mesmo", relatou.
A Rede Paraíba entrou em contato com a Secretaria de Segurança da Paraíba, mas até a última atualização desta reportagem não obteve retorno.
Polícia Militar diz que faz trabalho preventivo
Nesta segunda-feira (16), a Polícia Militar confirmou que ampliou "ações preventivas" na Grande João Pessoa após o ocorrido em Santa Rita. Nessas ações, a PM encontrou um "acampamento" em área de mata, de forma improvisada, com barracas, vestimentos, calçados.
Ao Jornal da Paraíba, o tenente-coronel Bruno, que lidera a operação, informou que "é uma possibilidade" o acampamento ter sido utilizado por suspeitos do ataque a tiros. Cerca de 20 pessoas são suspeitas de ter realizado o ataque a tiros.
A PM informou que um "trabalho preventivo deve continuar com rondas, abordagens e incursões em áreas consideradas de 'risco'" na Grande João Pessoa.
O ataque
O ataque a tiros resultou em três mortos e também em seis feridos. Três das seis pessoas que foram para o hospital por ferimentos causados em Santa Rita continuam internadas, de acordo com Hospital de Trauma de João Pessoa, que recebeu esses pacientes. A Polícia Civil investiga a disputa de facções criminosas como sendo motivar do ataque.
O delegado Ivaney Ferreira, que esteve no local do ataque a tiros, afirmou que as pessoas participavam de uma festa quando o grupo chegou armado. Em perícia inicial, foram encontrados cerca de 50 cartuchos de munição de diferentes calibres, entre fuzis e outros armamentos.
“(Foi) uma ação orquestrada por uma organização criminosa. Estava sendo realizada uma festa e por volta das 4h, elementos armados, pelo menos 20 pessoas, com fuzil 556, fuzil 762 e diversos calibres de pistola”, disse o delegado.
Segundo ele, ao chegarem ao local, os suspeitos atiraram contra duas pessoas, o que fez com que outros participantes tentassem fugir, pulando o muro da residência. Há relatos de gritos com referência a uma organização criminosa.
De acordo com o delegado, nenhuma das vítimas tinha mandado de prisão em aberto ou registro de antecedentes criminais na verificação inicial. O organizador da festa está entre os mortos.
"As vítimas não tinham nenhuma com mandado de prisão em aberto. Há relato de que o pai de um deles (vítimas) o pai era envolvido com o tráfico de drogas. (Outro) que está internado já havia sido vítima de tentativa de homicídio", explicou.
O crime ocorreu por volta das 4h30, em uma casa próxima ao Aeroporto Castro Pinto, e segue sendo investigado pela Polícia Civil.
Suspeitos presos

Cinco suspeitos de participação no ataque foram detidos pela Polícia Militar, ainda na tarde do domingo (15), na cidade de Bayeux. A operação foi coordenada pelo comandante-geral da corporação, coronel Sérgio Fonseca.
Com o grupo, foram apreendidas duas armas de fogo, uma réplica e drogas. De acordo com a PM, os suspeitos estavam queimando o documento de uma das vítimas e também estavam com celulares pertencentes às pessoas atingidas.
Entre os detidos, há três adolescentes. Um dos homens presos é o dono da casa onde os suspeitos estavam escondidos; a polícia informou que ainda não há confirmação da participação direta dele no crime.
As investigações continuam para prender outros suspeitos.

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