SILVIO OSIAS
O cara que açucarou o rock pelo menos tinha talento
O compositor Neil Sedaka morreu aos 86 anos.
Publicado em 02/03/2026 às 6:37

Sexta-feira passada, 27 de fevereiro de 2026, o compositor Neil Sedaka passou mal em casa, foi levado para um hospital e morreu quando estava sendo atendido.
Novaiorquino do Brooklin, Neil Sedaka era do dia 13 de março de 1939. Estava, portanto, a apenas duas semanas de fazer 87 anos e parecia ter boa saúde.
"Eu me lembro quando o rock era jovem/Eu e Suzie tínhamos muita diversão...". Foi a primeira coisa que me ocorreu quando soube da morte de Neil Sedaka.
A outra foi: "Faz muito tempo que eu não vinha no clube/Mas as pessoas permanecem as mesmas/Parecem personagens saídas de uma balada de Neil Sedaka...".
Bem, a primeira é Crocodile Rock, de Elton John, enquanto a segunda é Os Anos 60, de Sá, Rodrix e Guarabyra. As duas canções foram lançadas em 1973.
Se Os Anos 60 tem, na letra, a menção explícita a Neil Sedaka, Crocodile Rock tem a nítida influência que Neil Sedaka exerceu sobre o jeito de compor de Elton John.
Crocodile Rock não tem o nome de Neil Sedaka na letra, mas o chorus - solfejado em falsete - vem da introdução de Oh! Carol, clássico do repertório de Sedaka.
Em Elton John, em sua música, há a presença da balada beatle, da soul music, do gospel dos pretos e do country dos brancos dos Estados Unidos. E há Neil Sedaka.
Quando Neil Sedaka fez 80 anos, escrevi aqui na coluna que, no fim dos anos 1950, Neil Sedaka açucarou o que a primeira geração do rock vinha fazendo. Ele e Paul Anka.
"O rebolado de Elvis, que a TV americana censurou. Os comentários sociais das letras de Chuck Berry. A performance de Little Richard, primeira bicha louca do rock.
Neil Sedaka não tinha nada disso. Era apenas um rapaz bonitinho tocando ao piano baladas pra lá de melosas". Foi o que escrevi e repito agora que Sedaka morreu.
Neil Sedaka ainda não tinha 20 anos quando, em 1958, lançou The Diary. Oh! Carol, seu maior sucesso, é de 1959. Tem também Stupid Cupid, que Connie Francis gravou e, no Brasil, se popularizou como Estúpido Cupido, na voz de Celly Campello.
Solitaire é uma bela balada da maturidade. Na década de 1970, foi gravada pelos Carpenters e ganhou uma versão de Elvis Presley num dos seus últimos álbuns.
Neil Sedaka botou açucar no rock. Foi muito criticado por isso, mas suas músicas atravessaram o tempo. Ninguém pode negar que o cara tinha talento.

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