PLENO PODER
Jhony experimentou 'fogo amigo' e ao romper impõe mais uma baixa para o Governo
Pré-candidato a federal, médico assistiu ao movimento de aliados implodindo seus espaços na gestão estadual
Publicado em 03/03/2026 às 14:32

Depois de meses de queixas e desentendimentos o médico e ex-secretário de Saúde do Estado, Jhony Bezerra (ainda no Avante), anunciou nesta terça-feira (03) que apoiará a pré-candidatura do prefeito Cícero Lucena (MDB) a governador do Estado. O anúncio rompe, de vez, uma relação que há tempos estava na UTI dentro dos gabinetes do Governo.
Os desgastes começaram no fim da campanha de 2024, quando Jhony obteve votação expressiva como candidato à prefeitura de Campina Grande (98 mil votos) - mas foi preterido e acabou não voltando para o comando da Saúde estadual.
Um roteiro seguido pelo Governo com o seu antecessor, Geraldo Medeiros.
Para aliviar o desconforto, Jhony recebeu a superintendência da Fundação PB Saúde, responsável pela administração de três ou quatro hospitais do Estado. Para quem coordenou a última campanha de João Azevêdo (em 2022) na região de Campina e fez crescer o PSB, elegendo uma bancada forte na cidade, um 'duro golpe'. Um movimento que já indicava qual seria a disposição de Azevêdo em ajudá-lo em seu projeto de disputar uma vaga na Câmara Federal.
Mas os dissabores continuaram. O ex-secretário viu diretorias indicadas por ele substituídas por nomes do deputado Adriano Galdino (Rep); e outros aliados sendo exonerados no Diário Oficial do Estado.
Depois de deixar o PSB, Jhony decidiu seguir um outro caminho. Um percurso em que terá dificuldade de sustentar o discurso que continua oposição à gestão Bruno Cunha Lima (UB) em Campina Grande, mas convive em uma mesma aliança com Romero, Cássio e Pedro. Posição que precisará ser assimilada pelo eleitor propenso a apostar no ex-auxiliar do Governo em outubro.
Mas a escolha de Jhony, certamente, tem relação direta com a máxima de que o principal adversário, na política, pode estar sentado ao lado. É o 'fogo amigo', experimentado por ele, e que vinha tornando inviável o seu projeto rumo à Câmara dos Deputados.
Como consequência, o rompimento provoca uma nova 'baixa' na base do governador João Azevêdo e do vice, Lucas Ribeiro. Desidratação que se soma a nomes como Felipe Leitão, Hervázio Bezerra e o próprio Cícero - que em um passado recente também estava no grupo.
Disposto a disputar uma vaga em Brasília, Jhony optou por ter em seu campo de visão aliados sensíveis, mas adversários que agora podem ser vistos - e combatidos - sem ajuda de instrumentos ópticos. Sem 'fogo amigo'.

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