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SILVIO OSIAS

Tive medo do Jesus crucificado na tela grande do cinema

A Paixão de Cristo era programa obrigatório na Semana Santa.

Publicado em 31/03/2026 às 6:13


				
					Tive medo do Jesus crucificado na tela grande do cinema
Foto/Reprodução.

Todo ano, na Semana Santa, lembro da Paixão de Cristo no cinema. Foram muitas versões. Era obrigatório no feriadão que ia da quinta-feira ao domingo de Páscoa.

Um desses filmes se chamava A Paixão de Cristo. Uma produção francesa do tempo do cinema mudo, sonorizada mais tarde com o surgimento do cinema falado.

A Paixão de Cristo passava nos cinemas de bairro. Ver A Paixão de Cristo não era exatamente um entretenimento. Era principalmente um programa religioso.

A minha primeira experiência com a vida de Jesus no cinema foi em O Rei dos Reis. Muito criança ainda, por um bom tempo fiquei com medo da imagem do Cristo crucificado.

O diretor era Nicholas Ray, e o Cristo, Jeffrey Hunter, esse da foto que ilustra a coluna. Ray, o realizador de Juventude Transviada, era um outsider atuando em Hollywood.

O Rei dos Reis era uma grande produção, no padrão dos maiores épicos realizados pelo cinema americano. É memorável a sequência do sermão da montanha.

A Maior História de Todos os Tempos. Esse, vi na estreia. Quem dirigiu foi o George Stevens de Os Brutos Também Amam e Assim Caminha a Humanidade.

Em A Maior História de Todos os Tempos, Jesus é Max Von Sydow, o ator dos filmes de Ingmar Bergman. Sydow, o cara que joga xadrez com a morte em O Sétimo Selo.

A Maior História de Todos os Tempos também é uma grande produção, mas, talvez por ser menos espetacular, tenha uma beleza que não há em O Rei dos Reis.

O filme de George Stevens tem uma sequência inesquecível: o anúncio da ressurreição de Lázaro ao som da Aleluia do oratório barroco O Messias, de Händel.

O Evangelho Segundo São Mateus, de Pier Paolo Pasolini, só consegui ver nos anos 1970. Mas o filme, aplaudido e premiado pelo Vaticano, é de 1964.

Elenco de amadores, nenhuma grandiloquência, fidelidade total ao texto evangélico, a belíssima Paixão de Cristo de Pier Paolo Pasolini tem muito do neorrealismo.

O Evangelho Segundo São Mateus me remete ao neorrealismo italiano, mas às vezes tenho a impressão de que estou vendo um filme do Cinema Novo brasileiro.


				
					Tive medo do Jesus crucificado na tela grande do cinema
Foto/Reprodução.

Jesus Cristo Superstar, o filme, é de 1973. Antes, conheci o disco duplo com a íntegra da ópera-rock composta na Inglaterra por Andrew Lloyd Webber e Tim Rice.

Norman Jewison filmou Jesus Cristo Superstar no deserto, em Israel. É um musical todo cantado e dançado. Costumo dizer que é a versão hippie da vida de Jesus.

Desagradou católicos, foi muito criticado. É ousado e polêmico. Mas é muito bonito, com seu incrível elenco de cantoras e cantores e suas inesquecíveis canções.

O ponto alto do filme é quando Ted Neeley canta Gethsemane. Sozinho no horto das oliveiras, Jesus diz ao pai que está com medo da morte e que pode mudar de ideia.

A Última Tentação de Cristo é de 1988. No mundo inteiro, foi execrado pela comunidade católica, mas o diretor, Martin Scorsese, é um ítalo-americano de família católica.

Meu pai dizia que, de um modo geral, os católicos não entendiam o filme. E defendia a tese de que poucos filmes tratavam dos dilemas da fé com tanta profundidade.

O Rei dos Reis, A Maior História de Todos os Tempos, O Evangelho Segundo São Mateus, Jesus Cristo Superstar, A Última Tentação de Cristo. Tenho todos em cópias físicas no meu acervo. Qual devo escolher para rever nesta Semana Santa?

Foto/Reprodução

Silvio Osias

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