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MEIO AMBIENTE

'Extremos cada vez mais frequentes', diz especialista sobre cheias e enchentes na PB após chuvas

Climatologista detalha por que as chuvas ficaram mais intensas e os impactos nas áreas urbanas.

Publicado em 04/05/2026 às 15:24


					'Extremos cada vez mais frequentes', diz especialista sobre cheias e enchentes na PB após chuvas
Centro de Santa Rita.. Karine Tenório/TV Cabo Branco

A Paraíba enfrenta uma sequência de fortes chuvas que já provocaram mortes, alagamentos, cheias de rios e milhares de pessoas afetadas em diferentes regiões do estado. Em apenas dois dias, João Pessoa registrou quase 70% da média histórica de chuvas previstas para todo o mês de maio, segundo dados da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec-JP).

De acordo com o órgão, choveu 196 milímetros em um intervalo de 48 horas, enquanto a média histórica para maio é de 282 milímetros.

O volume elevado em um intervalo tão curto dá a sensação de que o período chuvoso começou antes do esperado. Para entender o fenômeno e o impacto sobre as cidades, o Jornal da Paraíba ouviu o professor de climatologia Ranyére Nóbrega, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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Segundo o especialista, o evento não representa exatamente um adiantamento do calendário das chuvas, mas sim um comportamento mais intenso do sistema climático que atua sobre o Nordeste.

Zona de Convergência Intertropical

O professor afirma que a atuação mais intensa da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) explica o volume elevado de chuva registrado na Paraíba nos últimos dias. O sistema é o principal responsável pelas precipitações em grande parte do Nordeste e, neste ano, apresentou um comportamento mais ativo do que o normal.

“Este ano a Zona de Convergência Intertropical está muito mais ativa do que o normal, então, não foi em si um adiantamento. No final de abril e início de maio já começamos a observar as chuvas no litoral e agreste com mais frequência. A eventualidade foi a intensidade das chuvas, principalmente num curto tempo", explicou.

Nóbrega explica que anos e meses mais chuvosos ou mais secos fazem parte do ciclo natural do clima. O que chama atenção, segundo ele, é que os eventos extremos têm se tornado mais frequentes e intensos, com grandes volumes de chuva concentrados em poucos dias. Esse comportamento, afirma o pesquisador, está associado ao aquecimento global.

“Já há indicativos de que esses extremos acontecem por causa do aquecimento global. Extremos cada vez mais frequentes. Isso é preocupante, porque houve um processo de migração do rural para as cidades. As cidades cresceram e não se desenvolveram nem para o clima anterior, quanto mais para estas tendências atuais. (…) Tanto a seca quanto as chuvas afetam os mais vulneráveis, historicamente e atualmente”, disse.

Cheia do Rio Paraíba e falta de preparo das cidades


					'Extremos cada vez mais frequentes', diz especialista sobre cheias e enchentes na PB após chuvas
Estação Elevatória de Água Bruta de Gramame. Foto: Divulgação

O nível do Rio Paraíba subiu mais de sete metros na região próxima ao município de Santa Rita, segundo a Defesa Civil, após as fortes chuvas que atingem a Paraíba desde a última sexta-feira (1º). A elevação rápida do rio contribuiu para alagamentos e deixou milhares de pessoas fora de casa.

Desde o início do período chuvoso mais intenso, o estado já contabiliza duas mortes, mais de 3 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas e 31 municípios em situação de emergência. Ao todo, 37,4 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas em diferentes regiões da Paraíba.

Para o climatologista, os impactos da cheia evidenciam problemas estruturais antigos. Ele explica que as cidades cresceram sem planejamento urbano adequado, com ocupação de áreas vulneráveis e outros fatores que ampliam os efeitos das chuvas intensas.

"Fato é que as cidades cresceram e não se prepararam. Há um considerável assoreamento nos rios, falta drenagem adequada, as cidades crescem de forma desordenada. Nas secas havia a dispersão, nas cidades há uma concentração, então a violência do evento acaba sendo muito mais sentida de imediato", disse.

O especialista ainda acrescenta a explicação de que a configuração da bacia do Rio Paraíba também favorece cheias rápidas, o que amplia os impactos em áreas urbanas.

“As nascentes estão localizadas em partes altas do Planalto da Borborema, então a água desce com muita velocidade, o que favorece picos de cheia. Há pouca infiltração porque o solo é rochoso, aumentando o escoamento superficial e fazendo com que o nível dos rios suba muito rápido", comentou.

Chuvas na Paraíba devem continuar

As chuvas devem continuar na Paraíba nos próximos dias, mas a tendência é de redução no volume.

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), esta segunda-feira (4) tem possibilidade moderada de ocorrências hidrogeológicas, como deslizamentos pontuais em encostas, em razão do acumulado de chuva e da previsão de novos episódios, que podem variar de moderados a fortes.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também renovou os alertas de chuvas intensas para municípios do estado. O alerta amarelo, de perigo potencial, é válido até as 10h da quinta-feira (7).

De acordo com o Inmet, nas áreas sob esse nível de alerta, pode chover entre 20 e 30 milímetros por hora ou até 50 milímetros por dia, com ventos entre 40 e 60 quilômetros por hora. O órgão informa que há baixo risco de interrupção no fornecimento de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

Imagem

Janinne Vivian

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