COTIDIANO
Corpo de médica francesa morta por namorado pode ser cremado e aguarda liberação da Justiça
Informação foi confirmada pelo diretor do IML de João Pessoa, Flávio Fabres, que disse aguardar 30 dias para retirada do corpo para o processo.
Publicado em 08/05/2026 às 10:46

O Consulado da França no Brasil encontrou familiares da médica francesa Chantal Etiennette Dechaume, de 73 anos, morta pelo namorado Altamiro Rocha, que também foi encontrado morto um dia depois, em João Pessoa, no mês de março.
A informação foi confirmada pelo diretor do Instituto Médico Legal (IML), Flávio Fabres, ao Jornal da Paraíba. Ele afirmou que toda a documentação solicitada pelo consulado anteriormente, com objetivo de encontrar os familiares foi enviada e, após isso, foi possível encontrar parentes dela.
No entanto, foi informado também que há um possível empecilho no trâmite funerário da médica francesa, isso porque a família demonstrou a intenção de querer cremar o corpo na Paraíba, mas, segundo Flávio Fabres, a Justiça não permite a cremação em casos de homicídio, somente com autorização judicial.
"Existe um desejo (da família) de fazer a cremação do corpo. Não vejo óbice a isso, mas quem vai determinar é finalmente é o juiz de direito. A gente tem, está identificado, causa da morte esclarecida, nenhum exame complementar a ser realizado", disse.
Com esse cenário, a família precisa pedir uma autorização especial para a cremação. Além disso, o prazo para a retirada do corpo após a identificação da família é de 30 dias, no entanto, Flábio Fabres disse que pode ampliar esse prazo, devido a distância para a França.
O diretor disse ainda que o corpo de Altamiro Rocha ainda segue no instituto e que nenhum familiar entrou em contato para recolher o material e realizar processos funerários. Sobre o corpo dele, Flávio disse que pode haver o enterramento.
A médica Chantal Etiennette Dechaume, de 73 anos, de nacionalidade francesa, foi encontrada carbonizada no dia 11 de março. De acordo com a polícia, ela foi morta pelo gaúcho Altamiro Rocha dos Santos, com quem tinha um relacionamento.
O homem foi encontrado morto no dia 12 de março, um dia após o corpo de Chantal ser localizado. O corpo dele estava no bairro João Agripino, com as mãos amarradas e sinais de decapitação.
Namorado foi morto
De acordo com a polícia, Altamiro não tinha renda fixa e era sustentado financeiramente por Chantal, que recebia aposentadoria do exterior, estimada em R$ 40 mil reais. A vítima conheceu Altamiro na orla da capital, onde ele vendia artesanato. Durante a pandemia, chegou a abrigá-lo, e os dois iniciaram um relacionamento.
De acordo com a investigação, o homem utilizava drogas e a mulher francesa não aceitava isso. A vítima demonstrou que queria terminar a relação por conta dessa situação. E isso teria motivado o crime. Altamiro foi encontrado morto no dia 12 de março, um dia após o corpo de Chantal ser localizado. O corpo dele estava no bairro João Agripino, com as mãos amarradas e sinais de decapitação.
Segundo a Polícia Civil, ele apresentava uma lesão profunda no pescoço, sem outros ferimentos aparentes. A principal linha de investigação é de que a morte possa ter relação com a atuação de integrantes de uma facção criminosa, que teriam reagido à repercussão do crime e à presença da polícia na região. Até o momento, ninguém foi preso.
A Polícia Civil da Paraíba confirmou ainda no dia 14 de março, que identificou o homem que ateou fogo na mala onde estava o corpo da francesa. Segundo a investigação, ele ainda não foi localizado, e a polícia segue em tratativas para encontrá-lo.
De acordo com Thiago Cavalcanti , o homem, que vive em situação de rua, vai ser ouvido, mas não deve ser responsabilizado criminalmente, já que não teve participação direta na morte. Conforme a Polícia Civil, ele recebeu uma porção de droga para colocar fogo na mala, a pedido do namorado da vítima.
Além disso, a investigação confirmou uma nova informação pericial. A confirmação de que foi identificado sangue no apartamento onde Chantal morava.

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