SILVIO OSIAS
O centenário do último gênio do jazz
Miles Davis nasceu no dia 26 de maio de 1926.
Publicado em 26/05/2026 às 7:00

Nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, celebra-se o centenário do nascimento de Miles Davis. Gênio do jazz, ele foi um dos músicos mais importantes do século XX.
Miles Davis entrou para o mundo do jazz na primeira metade da década de 1940 e, nele, permaneceu até morrer, aos 65 anos, no dia 28 de setembro de 1991. Fora hospitalizado depois de sofrer um AVC, teve pneumonia e um quadro agudo de insuficiência respiratória que o levou à morte.
Quando começou a se tornar conhecido, o jazz vivia a era do bebop. Seus nomes mais conceituados eram o saxofonista Charlie Parker e Dizzy Gillespie, trompetista como Davis. Miles Davis gravou bebop, mas começou a ser protagonista no jazz com o cool, através das gravações que apareceriam mais tarde no álbum Birth of the Cool.
O cool jazz seria, portanto, a primeira revolução da vida de Miles Davis, já a partir do início dos anos 1950. Aquela década não foi fácil porque, nela, o artista ficou viciado em heroína. O vício foi inicialmente superado, mas esteve presente outras vezes em sua vida, tanto quanto na de muitos outros jazzistas.
Entre o final da década de 1950 e o início da de 1960, Miles Davis gravou quatro álbuns extraordinários arranjados por Gil Evans. Já tinha John Coltrane como companheiro de palcos e estúdios, e incorporara, agora, o nome de Evans, notabilíssimo arranjador no mundo do jazz. Um desses álbuns (Quiet Nights) é inspirado na bossa nova.

Em 1959, fez outra revolução. Produzindo uma sonoridade nova no jazz, gravou o disco Kind of Blue, ladeado por músicos como o saxofonista John Coltrane e o pianista Bill Evans. O álbum, o mais vendido da história do jazz, mexe com o conceito de improvisação e harmonia e traz números como So What e All Blues.
Nos anos 1960, alternou álbuns de estúdio com muitos registros ao vivo. Entre esses tantos discos, estão alguns dos que destaco em sua discografia: aqueles ao vivo em que forma incrível quinteto com Herbie Hancock (piano), Ron Carter (contrabaixo), Tony Williams (bateria) e Wayne Shorter (sax).
Os ouvintes puristas encararam bem a música de Miles Davis até aí. Romperam com ele, banindo-o das suas discotecas, quando o artista fez outra revolução. Misturou o jazz com o rock e o funk e, dessa mistura, nasceu o jazz rock. Ou - como queiram - a fusion. Quem inaugura o jazz rock é o extraordinário álbum duplo Bitches Brew, de 1970.
Miles Davis foi um homem de notas mínimas no seu instrumento, tão mínimas quanto imprescindíveis. Miles foi um músico de rupturas e reinvenções. Depois dele, no jazz, não houve mais ninguém com a sua dimensão. Miles foi um gênio em sua praia. Sem Miles Davis, o jazz não seria o que é.

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