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ENTRE LINHAS

Algumas constatações antes do início da campanha do Brasil na Copa do Mundo 2026

Ciclo conturbado, falta de liderança e defesa envelhecida... porque não acredito no hexa da Seleção em 2026.

Publicado em 12/06/2026 às 14:00

Começa neste sábado (13) o início da campanha do Brasil em mais uma edição de Copa do Mundo. E é claro que o desempenho do maior vencedor do Mundial gera muita discussão. No entanto, a seleção brasileira atual tem gerado pouco otimismo da torcida.

Também não é para menos. O ciclo conturbado, a falta de uma liderança e a defesa envelhecida preocupa também o autor do texto. E é por isso que faço algumas constatações que me fazem não acreditar no hexacampeonato na Copa do Mundo 2026.


					Algumas constatações antes do início da campanha do Brasil na Copa do Mundo 2026
Seleção de Carlo Ancelotti chega a Copa do Mundo cercada de incertezas. (Arte: ChatGPT)

Ciclo conturbado

A eliminação para a Croácia em 2022 deixou o Brasil sem rumo. A falta de convicção do então presidente da CBF no sucessor de Tite sacrificou o início da preparação do novo ciclo.

Sem anunciar um novo treinador, a seleção brasileira deu largada na nova campanha com Ramon Menezes, então comandante do time sub-20 do Brasil. Caso desse certo, não duvido que Ednaldo Rodrigues tivesse efetivado o ex-jogador de Vasco e Vitória.


					Algumas constatações antes do início da campanha do Brasil na Copa do Mundo 2026
Ramon Menezes no primeiro jogo do Brasil após a queda na Copa do Mundo 2022. (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Só que, obviamente, Ramon nunca convenceu na função e, assim como fracassou nos clubes que dirigiu, também falhou na Seleção. Em três jogos, perdeu para Marrocos e Senegal e venceu Guiné. Os resultados pouco importam para um time que não conseguia ter cara.

Depois do fracasso Ramon, Ednaldo Rodrigues anunciou Fernando Diniz como técnico interino. Isso mesmo, o ciclo de Copa contou com um treinador por tempo determinado. Tudo isso enquanto esperava Carlo Ancelotti se desvincular do Real Madrid.

E após uma estreia empolgante contra a Bolívia nas Eliminatórias, o Brasil voltou ao normal para o atual momento. Jogos confusos, técnico sem convicção. O Brasil de Diniz jamais engrenou.


					Algumas constatações antes do início da campanha do Brasil na Copa do Mundo 2026
Fernando Diniz comandou a Seleção como técnico interino. (Foto: Vitor Silva/CBF)

A tal falta de convicção também atingiu a cúpula da CBF, que interrompeu o trabalho do interino antes do previsto, voltando atrás da ideia e contratando Dorival Júnior, técnico que se destaca pelo simples e vinha de dois títulos seguidos de Copa do Brasil.

Mas o tempo mostrou que a amarelinha era demais para Dorival. Mesmo vencendo Inglaterra e empatando com a Espanha nos seus dois primeiros jogos, a sua passagem findou com uma eliminação melancólica na Copa América para o Uruguai, quando o que ficou de marcante foi o comandante fora da rodinha antes da disputa por pênaltis.

E, posteriormente, a goleada sofrida para a Argentina nas Eliminatórias. A derrota por 4 a 1 em Buenos Aires foi daquelas que marcam gerações.

Aí chegou Carlo Ancelotti. É claro que com muito atraso, já no fim de ciclo, com o Brasil sem um time bem formado e correndo para tentar amenizar uma crise. Demorou, mas o técnico de ponta na Europa enfim chegou para comandar a Seleção.


					Algumas constatações antes do início da campanha do Brasil na Copa do Mundo 2026
Dorival Jr. fora da rodinha em Brasil x Uruguai marcou a passagem do treinador. (Foto: Reprodução)

Depois de tanto tempo, a chegada de Ancelotti e uma nova gestão à frente da CBF, a seleção brasileira teve meses de calmaria.

O fato é que diante de tantas mudanças, a montagem de um time fica sempre em segundo plano. E é assim que o Brasil chega para a Copa do Mundo. Carlo Ancelotti não teve tempo, ainda está num início de trabalho.

A única notícia boa é que o comando já foi renovado até 2030, o que dará tempo para o italiano construir uma ideia de equipe.

Falta de liderança

Primeiro, é preciso entender. No momento do futebol atual, não há espaço apenas para a individualidade. É trabalho que rende jogos competitivos. E como o Brasil ainda está em formação, o processo é dificultado.

Problemas do ciclo à parte, no campo, a Seleção de Ancelotti não tem alguém que chame a responsabilidade. Durante a preparação, Estevão teve lampejos de que poderia indicar ser o líder técnico, algo que tem faltado em Vini Jr. e Raphinha, dupla que se destaca por Real Madrid e Barcelona, respectivamente. Só que o atacante do Chelsea, machucado, acabou fora do Mundial.


					Algumas constatações antes do início da campanha do Brasil na Copa do Mundo 2026
Marquinhos vai ser o capitão do Brasil na Copa do Mundo. Envelhecido, jogador já viveu uma fase melhor, apesar do grande momento do PSG. (Foto: Kirk Irwin/Getty Images)

E nos 26 convocados, a esperança do brasileiro é que Neymar consiga reagir e jogue um futebol que não consegue desde 2022. O imaginário popular aposta que o camisa 10 se recupere, entre num time que ainda não teve a oportunidade de defender (com Carlo Ancelotti no comando), se torne titular e seja o destaque do time.

Um cenário para lá de improvável para um jogador que não está conseguindo ter uma sequência e que teve um ciclo de Copa pior que o da seleção brasileira.


					Algumas constatações antes do início da campanha do Brasil na Copa do Mundo 2026
Lesionado, Neymar em campo pelo Brasil ainda é um mistério. (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Sem Neymar imaginário e sem Estevão, alguém vai ter que assumir essa condição durante a Copa do Mundo. Serão capazes? Duvido! O único que enxergo com possibilidade de ser esse líder em campo é Endrick, um jovem em formação que conseguiu esse feito ao levar o Palmeiras ao título brasileiro em 2023.

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Defesa envelhecida

O corte de Wesley na lateral direita também me deixou preocupado. Afinal de contas, o único jogador jovem da posição não vai poder jogar a sua primeira Copa do Mundo. A participação do defensor da Roma seria importante até mesmo para ganhar bagagem para a edição de 2030.

E mais do que isso, a sua reposição é que preocupa. Ibanez é zagueiro de ofício, mesmo sendo improvisado por Ancelotti na lateral. E Danilo, mesmo tendo sido um bom lateral ao longo da carreira, atua como zagueiro desde o fim da passagem pela Juventus e hoje é reserva do Flamengo, mas também jogando na linha de zaga.

Como rapidamente pode voltar a atuar na lateral jogando num torneio de maior intensidade? Mais um fator complicador.


					Algumas constatações antes do início da campanha do Brasil na Copa do Mundo 2026
Alisson é o melhor goleiro brasileiro, apesar de envelhecido e de não ser unanimidade entre os torcedores. (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Na esquerda, tanto Alex Sandro quanto Douglas Santos são veteranos. O jogador do Flamengo não faz um bom 2026, enquanto o paraibano atua numa liga de menor competitividade. Mesmo jogando bem, o seu papel é muito pouco comparado ao que estávamos acostumados.

Na zaga, Gabriel Magalhães talvez seja o melhor jogador da posição na atualidade. Ele é o ponto fora da curva do time, que tem Marquinhos num momento mais distante do seu auge. Mesmo bicampeão europeu como capitão do PSG, o zagueiro já foi unanimidade.

Apesar de tudo, Bremer e Léo Pereira estão distantes tecnicamente dos titulares.


					Algumas constatações antes do início da campanha do Brasil na Copa do Mundo 2026
Titular da Seleção em 2022, Alex Sandro faz uma temporada 2026 bem abaixo. (Foto: Reprodução/Instagram)

Por fim, o gol é outro setor preocupante. Alisson, Ederson e Weverton, nomes que já foram incontestáveis, mas que já vivem declínios. O titular do Liverpool e da Seleção vem, inclusive, em recuperação física, enquanto o reserva, atualmente no Fenerbahce, está longe da sua melhor forma. Por fim, o arqueiro do Grêmio foi uma das surpresas da lista.

São três bons goleiros, mas que não passam a confiança que um dia passaram.

Agora é com Ancelotti

Hje, dia 12 de junho, afirmo que o trabalho de Carlo Ancelotti está aquém do esperado. Mais do que isso, é um trabalho ruim. Isso não significa que seja necessário uma mudança nos próximos meses. O ideal é apostar no treinador multicampeão no futebol.

Mas o trabalho à frente da seleção brasileira está abaixo do que poderia. Com um ano no cargo, o italiano não tem encontrado boas soluções, com um esquema tático preso a uma ideia.


					Algumas constatações antes do início da campanha do Brasil na Copa do Mundo 2026
Carlo Ancelotti vai para a sua primeira Copa do Mundo. (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

O Brasil sofre gol em praticamente todos os jogos, seja amistoso ou em competição oficial. Nesse cenário, onde está o técnico que há dois anos conseguiu formar um ataque campeão com o Real Madrid unindo Rodrygo, Vini Jr. e Jude Bellingham? O inglês caiu como uma luva no esquema e potencializou os atacantes brasileiros.

Ancelotti também montou grandes times, como o Chelsea campeão e recordista de gols na Premier League 2009/2010. Foram 103 em 38 jogos. Isso, é claro, sem falar do Milan de Kaká, a última geração de ouro do Rubro-Negro italiano.


					Algumas constatações antes do início da campanha do Brasil na Copa do Mundo 2026
Sucesso do Brasil na Copa do Mundo passa pelo potencial de Endrick. (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

A Copa do Mundo 2026 já começou, e o Brasil estreia neste sábado (13), contra o Marrocos. O jogo provavelmente é o mais difícil da primeira fase, que ainda vai contar com duelos com Haiti e Escócia. Os adversários deverão respeitar a seleção brasileira, mas o caminho para um futebol, de fato, competitivo, ainda está distante. O hexa em 2026 é bem improvável.

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