SILVIO OSIAS
João Gilberto, 95 anos
O inventor da Bossa Nova nasceu no dia 10 de junho de 1931.
Publicado em 10/06/2026 às 6:37

Se estivesse vivo, João Gilberto faria 95 anos nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026. O inventor da Bossa Nova tinha 88 anos quando morreu, no dia seis de julho de 2019.
A Bossa Nova é resultado de um ambiente musical do Rio de Janeiro do final dos anos 1950, mas, se tivéssemos que apontar um fundador, este seria João Gilberto.
Foi esse baiano de Juazeiro que criou a batida da Bossa Nova ao violão. E, mais do que isso, o singularíssimo (e inimitável) diálogo da sua voz com o instrumento.
Em João Gilberto, o violão vai para um lado, enquanto a voz vai para o outro. Depois, trocam de lado. Em seguida, se encontram. É um negócio mágico, que só ele faz.
Parece fácil, soa simples, mas é difícil e complexo. A sua reinvenção do samba ganha acordes dissonantes ao violão e uma performance vocal totalmente cool.
João Gilberto releu Ary Barroso, Dorival Caymmi, Geraldo Pereira. E deu voz a Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes, entre seus parceiros na Bossa Nova.
Lançado pela Odeon em 1959, o LP Chega de Saudade inaugura a Bossa Nova. João fez mais dois álbuns na gravadora. A essência da sua arte está nessa trilogia.
Getz/Gilberto foi gravado nos Estados Unidos em 1963. O sax de Stan Getz, a voz e o violão de João, o piano de Tom Jobim, o canto em inglês de Astrud Gilberto.
Getz/Gilberto é um dos discos mais populares e mais vendidos da história do jazz, junto com Kind of Blue, de Miles Davis, e Time Out, de Dave Brubeck.
Getz/Gilberto consolidou a Bossa Nova brasileira como fenômeno internacional no mesmo momento em que os Beatles conquistaram a América e o mundo.
O disco que João Gilberto gravou em 1973, conhecido como seu Álbum Branco, é o oposto de Getz/Gilberto. A voz de João, seu violão e uma bateria fake.
Chamo de fake porque, na verdade, o que se tem é um amigo de João Gilberto passando uma vassourinha sobre um catálogo telefônico, simulando o som de uma bateria.
Se Getz/Gilberto fez de Garota de Ipanema um sucesso em escala planetária, o disco de 1973 começa com uma versão originalíssima das Águas de Março de Tom.
Em Amoroso, João Gilberto tem ao lado da sua voz e do seu violão os arranjos de orquestra de Claus Ogerman, que trabalhava com Tom Jobim desde os anos 1960.
O lado A traz João cantando em quatro línguas: inglês, italiano, português e espanhol. O lado B, que abre com Wave, é todo dedicado ao cancioneiro de Tom Jobim.
Retrato em Branco e Preto - de Tom com Chico Buarque - alcança o limite de qualidade da canção popular. É a arte suprema de João Gilberto, esse baiano bossa nova.
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JOÃO GILBERTO ESSENCIAL
Chega de Saudade - Odeon, 1959
O Amor, o Sorriso e a Flor - Odeon, 1960
João Gilberto - Odeon, 1961
Getz/Gilberto - Verve, 1964
João Gilberto (Álbum Branco) - Polydor, 1973
Amoroso - Warner, 1977
João - PolyGram, 1991

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