ENTRE LINHAS
Enquanto o Brasil abraça o acaso, o futebol exige cada vez mais trabalho
Ciclo com quatro técnicos em quatro anos maltrata futebol de Seleção, que foi um time menor que a Noruega nas oitavas da Copa do Mundo 2026.
Publicado em 06/07/2026 às 7:00
A primeira Copa do Mundo de Carlo Ancelotti à frente de uma Seleção parecia mais uma tentativa que uma certeza. Após assumir o Brasil no fim de um ciclo para lá de conturbado, o italiano trouxe seus nomes de confiança para a equipe. Uma cartada para não fazer feio.
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O resultado foi péssimo! A seleção brasileira jogou mal o Mundial inteiro e, com menos posse de bola que praticamente todos os adversários, foi eliminado pela Noruega como time pequeno, perdendo por 2 a 1 como o seu camisa 10 provocando o goleiro adversário, vitorioso do dia, ao descontar para o Brasil.
O fato é que a seleção brasileira segue abraçando o acaso, mesmo com o futebol cada vez mais exigindo trabalho, projeto e direção. Na sexta eliminação seguida do Brasil em Copas, este é o momento em que o time parece mais sem rumo. Isso mesmo com um 7 a 1 no currículo.

No desfecho trágico contra a Noruega, um detalhe importante que já vinha chamando atenção ao longo da Copa do Mundo chamou atenção: a posse de bola. O Brasil de Carlo Ancelotti não consegue trabalhar com a bola no pé. É um deserto de ideias.
No apito final, a Noruega tinha 66% de posse contra apenas 34% do Brasil. Um jogo pautado na transição rápida e velocidade de Vini Jr. Quando bem marcado e sobrecarregado, o camisa 7 não conseguiu entregar, apesar de colocar Endrick na cara do gol antes do primeiro gol norueguês.
Na primeira chance de um técnico estrangeiro no comando da seleção brasileira, a impressão em Copa do Mundo foi muito ruim. A oportunidade foi desperdiçada, aumentando a pressão para o próximo ciclo.

E não, eu não trocaria a comissão técnica do Brasil neste momento. Agora é resetar o projeto e começar do zero. A renovação é inevitável. Só que mais do que isso, é preciso ter um direciomento de jogo. A Copa do Mundo 2026 termina para o país sem nada a destacar. O time é muito limitado como conjunto. E isso é trabalho do treinador.
Mas, se as coisas não envoluírem nos próximos anos, a mudança será necessária. Marrocos comprova que pode ser uma solução. Trocou um técnico com um estilo de jogo que não não era compatível com o time, apostou em uma opção mais condizente com a realidade e agora colhe frutos em mais um Mundial.

PS: maior jogador da última geração do futebol brasileiro, Neymar termina a sua participação em Copa do Mundo como um fiasco. O seu ciclo foi ainda pior que o da Seleção, e o rendimento manchou o que um dia conseguiu desempenhar em campo. Ao longo de quatro Copas, ele foi injustiçado, deveria estar no elenco de 2010. Mas não, não poderia estar no time de 2026.

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