POLÍTICA
Voto cruzado e rejeição são fatores-chave na disputa ao Senado na PB, avalia cientista político
Para Murilo Medeiros, candidatos com maior capilaridade regional e menor rejeição tendem a levar vantagem em uma disputa marcada pelo voto cruzado.
Publicado em 07/07/2026 às 22:54

A lógica do "voto cruzado", fenômeno que tem se intensificado na pré-campanha das Eleições de 2026, e o índice de rejeição dos candidatos, poderão ser fatores decisivos na disputa para o Senado em 2026. A avaliação é do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB).
A prática consiste no apoio de lideranças políticas em candidatos de chapas adversárias. Esses apoios vêm principalmente de lideranças que costuram acordos com base em interesses mais localizados.
O exemplo mais recente é o da vereadora pessoense Eliza Virgínia (PP), que recebeu em uma casa de recepções o pré-candidato governista Nabor Wanderley (Republicanos) e o de oposição, Marcelo Queiroga (PL), declarando apoio a ambos.
Ao Jornal da Paraíba, Murilo Medeiros explicou que, em estados marcados por fortes lideranças regionais, como a Paraíba, o voto cruzado "deixa de ser exceção e passa a ser um dos principais mecanismos de definição das duas cadeiras" em disputa.
Ultimamente, se tornaram corriqueiros os casos em que prefeitos apoiam, por exemplo, Veneziano Vital do Rêgo (MDB), da oposição, e Nabor Wanderley (Republicanos) ou João Azevêdo (PSB), governistas. São alianças em razão de circunstâncias regionais.
Segundo Murilo Medeiros, essa prática transforma a eleição para o Senado em uma disputa muito mais aberta.
Com duas cadeiras em disputa, na avaliação dele, o resultado não é definido apenas pela musculatura do palanque, "mas pela capacidade de construir apoios transversais entre prefeitos, deputados e lideranças regionais".
Rejeição também deve pesar
Ainda de acordo com Murilo Medeiros, candidatos que conseguem ocupar mais de um palanque ao mesmo tempo, capazes de dialogar com diferentes campos políticos, acabam adquirindo uma vantagem competitiva importante.
Mas há um perfil que tende a ser mais beneficiado com esse fenômeno: as candidaturas com menor rejeição são favorecidas pela lógica do voto cruzado. Neste caso, o desafio seria a boa aceitação junto ao eleitorado.
Reflexos na preferência do eleitor
De acordo com Murilo Medeiros, candidatos que conseguem construir mais "votos cruzados" deixam de depender exclusivamente de um único palanque e disputam votos em várias frentes ao mesmo tempo.
Segundo ele, o fenômeno pode ganhar tração na reta final do pleito, caso o postulante consiga equilibrar os apoios com a baixa rejeição.
"As pesquisas costumam captar com mais facilidade a preferência principal do eleitor. O segundo voto é mais volátil, sofre influência das alianças locais e é fortemente impactado pela lógica do voto cruzado", explicou.

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