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Relembre como era o futebol paraibano em 2002, ano do último título da Seleção na Copa do Mundo
Enquanto o Brasil conquistava o pentacampeonato no Japão e na Coreia do Sul, o Campeonato Paraibano seguia a todo vapor e terminava com polêmica.
Publicado em 11/07/2026 às 6:00
O ano de 2002 está eternizado na memória do torcedor brasileiro. Foi quando a seleção brasileira, comandada por Luiz Felipe Scolari e liderada por Ronaldo e Rivaldo, conquistou o pentacampeonato mundial ao vencer a Alemanha por 2 a 0, em Yokohama, no Japão.

Enquanto o país comemorava a quinta estrela, o futebol paraibano vivia uma temporada bastante diferente. O estadual seguia em disputa durante a Copa do Mundo e só foi encerrado quase um mês após a conquista da Seleção.
O torneio daquele ano acabou terminando com o Atlético de Cajazeiras campeão, no dia 28 de julho, em um dos campeonatos mais polêmicos da história.
Como foi o Campeonato Paraibano daquele ano?
A edição de 2002 reuniu 15 clubes: América de Caaporã, Atlético de Cajazeiras, Auto Esporte, Botafogo-PB, Campinense, Esporte de Patos, Guarabira, Miramar de Cabedelo, Nacional de Patos, Perilima, Santa Cruz de Santa Rita, Serrano-PB, Sousa, Treze e Vila Branca de Solânea.

Mas não era apenas o número de participantes que chamava atenção. O regulamento também era bastante diferente do modelo atual. Dos 15 participantes, apenas 13 disputaram a primeira fase. Botafogo-PB e Treze, representantes paraibanos na Copa do Nordeste, entraram diretamente na reta final do estadual.
As demais equipes foram distribuídas em três grupos. Após confrontos em turno e returno dentro de cada grupo, os melhores classificados avançavam para uma sequência de mata-matas. Ainda houve uma repescagem antes das quartas de final.

Dessa repescagem saiu o Atlético de Cajazeiras, que eliminou o Auto Esporte. Depois, Campinense, Sousa e Serrano-PB garantiram vaga na fase decisiva. Nas semifinais, a Raposa eliminou justamente o Atlético, enquanto o Dinossauro passou pelo Serrano. O Campinense venceu a decisão da primeira fase diante do Sousa.
Apesar disso, nada daquela campanha valia vantagem no hexagonal final. A pontuação era zerada, e os seis classificados iniciavam uma nova disputa em pontos corridos, com turno e returno, para definir o campeão estadual.
Atlético-PB em alta e polêmica por W.O
O hexagonal final reuniu Atlético de Cajazeiras, Botafogo-PB, Campinense, Serrano-PB, Sousa e Treze.
A última rodada estava marcada para o dia 28 de julho de 2002. No Estádio Perpetão, o Atlético receberia o Campinense. No Amigão, Botafogo-PB e Treze fariam o clássico decisivo. Em Sousa, Dinossauro e Serrano apenas cumpririam tabela.
Botafogo-PB e Treze ainda tinham chances matemáticas, mas precisavam vencer seus jogos e torcer por um tropeço do líder. Mas o cenário envolvendo o Campinense chamava atenção.
A equipe se preparava para disputar a seletiva da Copa do Nordeste do ano seguinte, que seria realizada em Sergipe, e ainda corria o risco de ajudar um rival a conquistar o estadual.
Durante toda a semana surgiram especulações sobre a presença da Raposa em Cajazeiras. Enquanto isso, a cidade já respirava decisão. O Perpetão recebeu autoridades, torcedores e duas taças aguardavam o campeão: a oficial da Federação Paraibana de Futebol e outra oferecida pelo então prefeito Carlos Antônio.

O Campinense nunca chegou. Com a ausência da equipe visitante, o árbitro decretou o WO, resultado que garantiu matematicamente o primeiro título estadual da história do Atlético de Cajazeiras.
Na classificação final, o Trovão Azul terminou com 19 pontos. O Botafogo-PB venceu o Treze por 2 a 1 e ficou na segunda colocação, com 17. O Galo encerrou a campanha em terceiro, com 14 pontos.

O Botafogo-PB ainda entrou com uma ação no Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba alegando que o goleiro Alonso havia sido inscrito irregularmente pelo Atlético durante o hexagonal final.
O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que deu ganho de causa ao clube da capital, determinando a perda de pontos do Atlético e reconhecendo o Botafogo-PB como campeão paraibano de 2002.
Apesar da decisão, a Federação Paraibana de Futebol jamais homologou oficialmente a mudança do campeão.
E os paraibanos no cenário nacional?
Além do estadual, os clubes paraibanos também disputaram competições nacionais em 2002.
Na Série C, Atlético de Cajazeiras, Botafogo-PB e Treze integraram o Grupo 5 ao lado do ABC. Apenas o Galo avançou à segunda fase, mas acabou eliminado pelo CSA após sofrer uma goleada por 6 a 1 no primeiro jogo do confronto.
Na Copa do Brasil, Botafogo-PB e Treze também caíram logo na estreia. O Belo foi eliminado pelo Figueirense, enquanto o Treze protagonizou uma vitória histórica ao derrotar o São Paulo por 1 a 0, em Campina Grande. No jogo de volta, porém, o Tricolor paulista venceu por 4 a 1 no Morumbi e ficou com a vaga.
Vinte e quatro anos depois, muita coisa mudou no futebol paraibano. Ainda assim, o estadual de 2002 permanece vivo na memória dos torcedores e divide opiniões sobre quem, de fato, foi o campeão daquele ano.

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