José Targino Maranhão chegou ao comando da Paraíba em um momento de luto e instabilidade política. Eleito vice-governador em 1994 na chapa de Antônio Mariz, assumiu o governo em setembro de 1995 após a morte do titular e deu continuidade ao projeto político iniciado pelo aliado, conduzindo uma gestão marcada por obras de infraestrutura, equilíbrio fiscal e articulação política.
A história é contada no novo episódio da série especial "Governadores: A História do Executivo na Paraíba", projeto original do Jornal da Paraíba e da Rádio CBN, idealizado pelo repórter Guilherme Bezerra e com reportagens de Gustavo Demétrio.
O episódio está disponível no Spotify e nas principais plataformas de áudio. OUÇA ACIMA.
Da vice-governadoria a chefia no Palácio da Redenção
Natural de Araruna, José Maranhão construiu uma longa carreira política antes de chegar ao governo. Foi deputado estadual por quatro mandatos e deputado federal por mais três, consolidando-se como uma das principais lideranças do então PMDB na Paraíba.
Ele assumiu oficialmente o governo em 16 de setembro de 1995, após a morte de Antônio Mariz, eleito governador menos de um ano antes. Mariz morreu em decorrência de um câncer.
Segundo o sobrinho do ex-governador, Benjamim Maranhão, a trajetória política do tio foi fortemente influenciada pela atuação do pai, Benjamim Gomes Maranhão, ex-prefeito de Araruna.
"Eu vejo em toda sua trajetória política algo ligado à figura do meu avô, que era um líder político da região de Araruna, um homem que tinha uma preocupação social muito grande", afirmou.
Naquele momento, a Paraíba enfrentava dificuldades econômicas. Pouco antes da posse definitiva de Maranhão, em 16 de agosto daquele ano, a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) autorizou o governo a contratar um empréstimo de R$ 50 milhões para renegociar parte da dívida estadual.
Continuidade ao projeto de Antônio Mariz

Pessoas próximas aos dois governadores afirmam que Maranhão optou por manter o planejamento elaborado ao lado de Antônio Mariz para o que seria o primeiro governo dele no estado.
A desembargadora Fátima Bezerra, viúva de José Maranhão, afirma que o marido preservou as prioridades definidas pelo antecessor.
"Honrou os nomes que Antônio Mariz escolheu, honrou as propostas de trabalho elaboradas às quatro mãos. Eles trabalharam muito no planejamento de governo. E o primeiro governo de Zé Maranhão, austeridade e desenvolvimento, mas tudo partiu daquela base", disse a desembargadora.
O ex-deputado Einaldo Leitão, que foi líder dos governos Mariz e Maranhão, também relembrou a transição.
"Ele chamou José Maranhão lá no quarto dele e bateu um papo sabendo que estava perto da morte. Então Mariz entregou o governo a José Maranhão."
Ainda de acordo com a desembargadora e viúva do ex-governador, aqueles acordos e ideias entre Antônio Mariz e Zé Maranhão, antes do momento da transição política, marcou não somente o primeiro governo, mas também o segundo e o terceiro, que só viria anos depois, em 2009.
Austeridade e obras marcaram a gestão

A principal marca dos governos de José Maranhão foi a combinação entre controle das contas públicas e investimentos em infraestrutura.
O jornalista Josélio Carneiro, autor do livro Paraíba: Governos em Cena, resume essa característica.
"Maranhão era um gestor de muita austeridade. Tentava fazer o máximo para que a gestão fosse transparente, rígida e marcada pela moralidade", disse.
Entre as principais ações do governo destacadas estão:
- ampliação da eletrificação rural, conhecida pela campanha de "apagar o último candeeiro";
- construção de barragens, adutoras e açudes;
- implantação do Canal da Redenção, em Sousa;
- investimentos em abastecimento de água;
- programas voltados à educação e à formação de professores.
Em discurso no Senado Federal, em 2003, o próprio José Maranhão destacou parte desse legado que começou a ser construído ainda no primeiro governo dele.
"Construímos 14 barragens, 37 quilômetros de canais de transposição e mais de mil quilômetros de adutoras para que todas as cidades tivessem um abastecimento d'água digno e decente", destacou à época.
A implantação do Canal da Rendação foi idealizada na época de Antônio Mariz e concretizada, de fato, com Zé Maranhão.
As iniciativas renderam ao governador o apelido de "Zé das Águas"

Benjamim Maranhão afirma que a presença constante do governador no interior do estado, por conta dos projetos de infraestrutura, ajudou a consolidar essa imagem de "Mestre de Obras" e "Zé das Águas", durante o primeiro governo dele.
"Ele trabalhava durante todos os dias da semana, indo até as comunidades mais distantes, inaugurando abastecimento d'água, eletrificação rural e outras obras. Foi um governo muito marcante para os pequenos municípios e para as pessoas humildes", destacou Benjamin.
Na educação, o governo investiu na qualificação dos professores da rede estadual. O ex-secretário de Educação Salles Gaudêncio afirma que foram criados programas de formação docente em diferentes polos do estado.
"Criou-se uma bolsa de estudos para que os professores se deslocassem para os núcleos de capacitação, com o intuito de reduzir a deficiência dos professores que não tinham a capacitação adequada."
Segundo ele, a gestão também intensificou ações voltadas ao combate ao analfabetismo.
Relação com o governo federal e equilíbrio fiscal
A posse de José Maranhão coincidiu com os primeiros anos do Plano Real e do governo Fernando Henrique Cardoso. O economista Cássio Besaria explica que os estados precisavam enfrentar desafios ligados ao equilíbrio das contas públicas e à modernização da infraestrutura.
"Os desafios passavam pelo equilíbrio fiscal, aumento da arrecadação, modernização da administração tributária e manutenção da capacidade de investimento do Estado", disse o economista.
Segundo ele, financiamentos de longo prazo e convênios federais permitiram ampliar os investimentos em infraestrutura durante o período.
Ao longo dos anos, com esse cenário econômico, Maranhão conseguiu consolidar uma ampla base política na Assembleia Legislativa. Para Benjamim Maranhão, o ex-governador tinha habilidade para construir alianças, mesmo com cenários difíceis.
"Ele era um grande construtor de alianças. Não via o político como um inimigo”, ressaltou.
No entanto, esse cenário mudou em 1998. Segundo o jornalista Nonato Guedes, a disputa pelo comando do PMDB marcou o rompimento entre José Maranhão e o senador Ronaldo Cunha Lima, que faziam parte de um grupo político forte do partido e que comandou a Paraíba por anos.
"A partir daí já ficou mais ou menos estabelecido um divisor de águas. Já se sabia que não havia mais possibilidade de convivência entre eles", disse.
Com o racha político, também veio a disputa pelas Eleições em 1998. Maranhão entrou na disputa pelo segundo mandato. Essa corrida eleitoral, os motivos que levaram dois grandes nomes da política paraibana para caminhos opostos e os acordos feitos, vão ser temas da próxima matéria e episódio da série.
O episódio sobre o segundo governo de José Maranhão está marcado para a quinta-feira (16), nas plataformas digitais.
Onde ouvir
O episódio sobre José Maranhão faz parte da série "Governadores: A História do Executivo na Paraíba", uma produção da CBN Paraíba com o Jornal da Paraíba.
Além do Spotify, o podcast está disponível nas principais plataformas de áudio. A produção contou com pesquisa do Cedoc da Rede Paraíba de Comunicação e, a cada episódio, o Jornal da Paraíba publica uma reportagem especial aprofundando a história de cada governo.


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