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COTIDIANO

Polícia Civil pede prisão preventiva de delegado e agentes por desvio de drogas na PB

Presos temporariamente desde a Operação Perfídus, os três também foram indiciados por furto qualificado e outros três crimes.

Publicado em 16/07/2026 às 11:57 | Atualizado em 16/07/2026 às 12:12


					Polícia Civil pede prisão preventiva de delegado e agentes por desvio de drogas na PB
Delegado Braz Morroni preso por receber dinheiro do tráfico de drogas. Foto: TV Cabo Branco

O delegado Braz Morroni, os agentes da Polícia Civil Everton Aires e Eduardo Jorge, passaram a ser alvo de um pedido de prisão preventiva apresentado pela Polícia Civil à Justiça. Os três estão presos temporariamente desde a Operação Perfídus, deflagrada no início de junho.

A defesa de Everton Aires informou que não tem conhecimento sobre a conclusão do inquérito. A defesa de Eduardo Jorge declarou que "até aqui" não consegue se "pronunciar sobre o conteúdo de possível pedido de prisão, desejando apenas que possamos ter um processo democrático, justo e honesto". O JORNAL DA PARAÍBA procurou adefesas de Braz Morroni, mas não houve resposta até a publicação desta reportagem.

De acordo com o relatório final do inquérito, ao qual o JORNAL DA PARAÍBA teve acesso nesta quinta-feira (16), o delegado e os agentes foram indiciados por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.

LEIA TAMBÉM: Quem é o delegado preso em operação contra o tráfico de drogas em João Pessoa


					Polícia Civil pede prisão preventiva de delegado e agentes por desvio de drogas na PB
Dos 60 kg de drogas no imóvel, apenas 3 kg foram oficialmente apresentados na delegacia por Braz Morroni. Reprodução / Polícia Civil

Segundo a investigação, o indiciamento por furto qualificado ocorreu porque os policiais são suspeitos de retirar parte das drogas encontradas durante uma ação em um apartamento, em setembro de 2025. O relatório aponta que havia cerca de 60 kg de drogas no imóvel, mas apenas 3 kg foram oficialmente apresentados na delegacia. A diferença corresponde a um valor de mercado estimado em R$ 2,1 milhões.

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O crime de falsificação de documento público está relacionado ao boletim de ocorrência registrado três dias após a ação. Conforme o inquérito, o documento apresentou informações incompatíveis com o que foi encontrado no apartamento, principalmente sobre a quantidade de drogas apreendida.


					Polícia Civil pede prisão preventiva de delegado e agentes por desvio de drogas na PB
Grande quantidade de drogas foi encontrada em mídias do celular do delegado Braz Morroni. Reprodução / Polícia Civil

Já o indiciamento por abuso de autoridade tem como base a conclusão da investigação de que os policiais entraram no imóvel sem autorização do morador, sem decisão judicial e sem situação de flagrante que justificasse a entrada. Para a Polícia Civil, os investigados utilizaram a função pública para dar aparência de legalidade à ação.

O crime fraude processual foi atribuída porque, segundo a investigação, apenas parte das drogas encontradas foi encaminhada para a perícia, alterando o conjunto de provas que seria analisado durante a investigação e em eventual processo criminal.

Ao pedir a prisão preventiva, a Polícia Civil afirmou que "qualquer outra medida cautelar é insuficiente" e que a adoção de outra medida "poderá levar a cabo todo o trabalho policial e ocasionará numa possível fuga e apagamento de provas".

A Polícia Civil informou, também, que as suspeitas de tráfico de drogas e associação para o tráfico são investigadas em outro inquérito. Segundo o relatório, a separação foi adotada para evitar tumulto processual, confusão na análise das provas e prejuízo à compreensão dos fatos.

O delegado e os demais investigados permanecem presos no Presídio Especial do Valentina, localizado em João Pessoa.

Operação Perfídus

A operação investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.

Um dos agentes presos é Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba" ou "Bombado". De acordo com a Polícia Civil, ele é apontado como operador central da organização e fazia a ponte entre policiais e traficantes.

O segundo agente é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca". O investigador é apontado como participante direto de subtrações de drogas e teria monitorado carregamentos, utilizado rastreadores e escondido drogas em casa.

Outros presos da operação:

  • João Wicttor Alves de Lima;
  • Brendo Roberth Fernandes Sobral;
  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza ("Galinha");
  • José Alexandrino de Lira Júnior ("Júnior Lira");
  • Vanessa Dantas Fernandes;
  • Dankennedy Vieira Brito da Silva ("Babau").
Imagem

Jornal da Paraíba

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