O ex-governador Roberto Paulino chegou ao comando da Paraíba em um momento de transição política. Vice-governador eleito na chapa de José Maranhão em 1998, assumiu o Palácio da Redenção em abril de 2002, após a renúncia do titular para disputar uma vaga no Senado Federal.
Nos nove meses em que governou o estado, adotou como principal marca a continuidade das obras da gestão anterior, priorizando investimentos em infraestrutura, recursos hídricos e programas sociais.
O mandato coincidiu com um dos anos mais importantes da política brasileira. Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente da República, encerrando o ciclo de Fernando Henrique Cardoso no governo federal.
Na Paraíba, Roberto Paulino enfrentou dificuldades provocadas pela redução de repasses federais após o grupo político liderado por José Maranhão declarar apoio à candidatura de Lula, além de ser lançado, de forma inesperada, como candidato ao governo do estado poucos meses antes da eleição.
A história é contada no novo episódio da série especial "Governadores: A História do Executivo na Paraíba", projeto original do Jornal da Paraíba e da Rádio CBN, idealizado pelo repórter Guilherme Bezerra e com reportagens de Gustavo Demétrio.
O episódio está disponível no Spotify e nas principais plataformas de áudio. OUÇA ACIMA.
Da vice-governadoria ao Palácio da Redenção
Natural de Guarabira, Roberto Paulino construiu toda a carreira política no então PMDB, partido ao qual permaneceu filiado durante toda a trajetória. Foi prefeito da cidade natal por dois mandatos, deputado estadual, deputado federal e, em 1998, foi escolhido por José Maranhão para compor a chapa que conquistou a primeira reeleição para o Governo da Paraíba.
Quando Maranhão deixou o cargo para disputar o Senado, Paulino assumiu o governo com um discurso de continuidade. Na posse, afirmou que não pretendia promover rupturas administrativas e anunciou que voltaria a atenção especialmente para o interior do estado.
Segundo registro publicado pelo Jornal da Paraíba na época, o novo governador declarou que faria um "governo itinerante", aproximando a administração estadual dos municípios paraibanos.
Continuidade e obras estruturantes
Como assumiu uma gestão já em andamento, Roberto Paulino optou por manter praticamente todo o secretariado e acelerar projetos iniciados por José Maranhão e, antes dele, por Antônio Mariz.
Entre as principais ações lembradas no episódio estão a continuidade da duplicação da BR-230, a conclusão da Barragem de Acauã, o avanço das obras da Barragem de Araçagi e a expansão de programas voltados ao abastecimento de água e à eletrificação rural.
Em entrevista ao podcast, o ex-governador afirma que preferiu não criar novos projetos para priorizar a entrega daqueles que já estavam em execução.
"Eu não quis inventar coisas, porque nós tínhamos obras importantes e relevantes para dar andamento", afirma Roberto Paulino.
Paulino também destaca que procurou ampliar programas sociais durante o período em que esteve no governo, reforçando a distribuição de leite e ações voltadas à população de baixa renda.
"Eu deixei marcas. Abri um diálogo com a população, fiz um governo de respeito às pessoas, procurando valorizar a pessoa humana, a pessoa humilde, a pessoa simples", diz.
Segundo o atual deputado federal, e filho do ex-governador, Ranilery Paulino reforçou que a principal característica da gestão foi dar continuidade às obras iniciadas pelos antecessores, que faziam parte da mesma legenda.
"Foram oito anos de um mesmo projeto de governo, iniciado por Antônio Mariz, continuado por José Maranhão e concluído por Roberto Paulino. Quando Maranhão renunciou, meu pai assumiu e fez entregas importantes para a Paraíba, principalmente nas áreas de recursos hídricos, energia elétrica e abastecimento de água”, disse.
Apoio a Lula e dificuldades com Brasília

Um dos episódios marcantes daquele governo ocorreu durante a campanha presidencial de 2002. Apesar da orientação nacional do PMDB, José Maranhão e Roberto Paulino decidiram apoiar Luiz Inácio Lula da Silva, então candidato do PT à Presidência da República.
Segundo o ex-secretário Francisco Sarmento, a decisão provocou dificuldades na relação com o governo Fernando Henrique Cardoso e reduziu os recursos federais destinados ao estado, obrigando a administração estadual a ampliar a participação financeira em diversas obras.
O próprio Roberto Paulino relembra que foi o primeiro governador do PMDB a declarar apoio a Lula.
"Eu fui o primeiro governador do MDB, da oposição, a anunciar apoio a Lula. Isso teve uma repercussão muito grande", afirma.

A candidatura que surgiu por acaso
Inicialmente, Roberto Paulino não pretendia disputar o governo nas eleições de 2002. O candidato do grupo político era o senador Ney Suassuna.
A situação mudou quando Suassuna desistiu da disputa a poucos meses do pleito. Com isso, Paulino, que já ocupava o cargo de governador, tornou-se o nome escolhido pelo grupo para enfrentar o candidato do PSDB, Cássio Cunha Lima.
Em entrevista ao podcast, o ex-governador relembra que a candidatura aconteceu por circunstâncias políticas.
"Eu não ia ser o candidato. Eu sabia que ia assumir o governo para fazer essa transição, mas o candidato nosso era Ney Suassuna", recorda.
O filho, Raniery Paulino, reforçou essa ideia e afirmou que as circunstâncias de construções de alianças políticas à época deram um terreno fértil para Roberto Paulino concorrer naquele pleito.
"O candidato do grupo era Ney Suassuna. Meu pai assumiria o governo apenas para fazer a transição. Com a desistência de Ney, a candidatura acabou surgindo por circunstâncias políticas”, disse.
Uma das disputas mais apertadas da história

Apesar de iniciar a campanha com baixo índice de conhecimento entre os eleitores, Roberto Paulino cresceu durante a disputa e levou a eleição para o segundo turno contra Cássio Cunha Lima.
Na reta final, o então governador enfrentou um problema pessoal que marcou a campanha. A esposa, Fátima Paulino, sofreu um grave acidente automobilístico quando seguia para um comício em Santa Rita. Ela ficou em coma, permaneceu internada e, segundo Paulino, precisou passar por 37 cirurgias.
“Eu tive um problema muito grande na minha candidatura, de ordem pessoal, porque minha esposa, Fátima, sofreu um acidente”, relembra Roberto Paulino.
No segundo turno, a disputa terminou com uma das menores diferenças da história política da Paraíba desde a redemocratização. Cássio Cunha Lima foi eleito com 51,3% dos votos, enquanto Roberto Paulino obteve 48,6%. Menos de 47 mil votos separaram os dois candidatos.
A derrota nas urnas e o legado político

A derrota encerrou um ciclo de quase duas décadas de vitórias do PMDB nas eleições para o Governo da Paraíba. Roberto Paulino havia assumido a candidatura apenas quatro meses antes da votação e enfrentou uma oposição que, até pouco tempo antes do pleito, era apontada como favorita.
Após a divulgação do resultado, o então governador agradeceu aos eleitores e afirmou que se considerava vitorioso pelo desempenho alcançado durante a campanha.
“Eu também me considero vitorioso. Fizemos um belo trabalho. Agradeço aos paraibanos, à militância, pelos votos”, declarou.
Para Roberto Paulino, a campanha ampliou sua projeção política, mesmo sem garantir a permanência no Palácio da Redenção. Uma candidatura inicialmente improvável terminou em uma das eleições mais equilibradas já registradas no estado e consolidou o nome do político de Guarabira na história do Executivo paraibano.
Onde ouvir o podcast
Além do Spotify, é possível ouvir o primeiro episódio da série "Governadores: A História do Executivo Na Paraíba", pelo Deezer e também pelo Google Podcasts.
Foi parte importante do projeto do Cedoc da Rede Paraíba de Comunicação, com o levantamento de arquivos históricos sobre o governador.
O Jornal da Paraíba, a cada episódio, vai trazer a história dos governos em edições especiais em texto.


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