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COTIDIANO

Criança autista e mãe são expulsas de carro por aplicativo durante corrida em João Pessoa

Criança de 9 anos, com TEA nível 3 de suporte, seguia para uma sessão de terapia quando corrida foi interrompida pelo motorista, segundo relato da mãe

Publicado em 24/07/2026 às 17:46 | Atualizado em 24/07/2026 às 19:44


					Criança autista e mãe são expulsas de carro por aplicativo durante corrida em João Pessoa
Mãe e filha autista são expulsas de carro por aplicativo durante chuva em João Pessoa. Freepik

Uma criança de 9 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3 de suporte e a mãe foram expulsas de um carro por aplicativo durante uma corrida em João Pessoa. Segundo relato da mulher ao Jornal da Paraíba, o caso aconteceu na quarta-feira (23), quando o motorista interrompeu a viagem após se incomodar com a música que a menina ouvia no celular durante o trajeto para uma sessão de terapia.

O Jornal da Paraíba entrou em contato com a Uber para solicitar um posicionamento sobre o caso, já que a corrida foi solicitada por meio da plataforma e o motorista é cadastrado na empresa. Em nota, a empresa informou que não tolera qualquer forma de discriminação em viagens realizadas pelo aplicativo e que está à disposição das autoridades. A Uber também afirmou que a conta do motorista parceiro foi suspensa enquanto o caso é apurado e que disponibilizou à usuária um canal de suporte psicológico.

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De acordo com a mãe, a corrida foi solicitada em Mangabeira, na Zona Sul de João Pessoa, para levar a filha até uma sessão de terapia na Associação A-ima Mães de Autistas, localizada no bairro do Cuiá, também na Zona Sul da capital. Durante o trajeto, o motorista assistia a um anime no celular enquanto dirigia e, segundo a mulher, se incomodou com o som da música que a criança ouvia no celular.

A mulher contou que pediu para a filha diminuir o volume do celular e explicou ao motorista que a menina é autista nível 3 de suporte, condição que exige maior necessidade de acompanhamento e estratégias para evitar crises.

Segundo o relato, mesmo após a explicação, o motorista determinou que mãe e filha deixassem o veículo, apesar da chuva. Ainda de acordo com a mulher, ele estacionou próximo à calçada "para ficar melhor de descer" e afirmou: "No meu carro fica quem eu quero".

A mãe disse que o motorista respondeu que "não era a primeira nem seria a última autista" transportada por ele e afirmou que bastava ela conseguir fazer a criança obedecer.

Ainda conforme o relato, ao questionar o fato de o motorista estar assistindo a um desenho enquanto dirigia, o homem aumentou o volume do som do carro e perguntou se ela queria saber "o que era som alto". A mulher acredita que a atitude teve a intenção de provocar uma desregulação na criança.

A mãe informou que avisou que acionaria a polícia e denunciaria o caso à plataforma de transporte. Segundo ela, o motorista respondeu: "Pode chamar quem você quiser".

Após serem obrigadas a deixar o veículo, mãe e filha ficaram na chuva, no bairro do Geisel. A mulher ligou para o 190 e relatou que uma viatura da Polícia Militar que passava pelo local foi abordada e levou as duas até a associação, onde a criança receberia atendimento.

Na instituição, a mulher recebeu apoio da equipe, registrou um boletim de ocorrência e formalizou a denúncia junto à plataforma de transporte por aplicativo.

Música pode ajudar na autorregulação de pessoas com TEA

O neuropsicólogo e diretor fundador Paulo de Paula, da Associação A-ima, explicou que os níveis de suporte do autismo indicam o grau de apoio que a pessoa necessita no dia a dia e não representam inteligência ou capacidade.

Segundo ele, ouvir música durante deslocamentos é uma estratégia frequentemente utilizada por famílias de pessoas com TEA para favorecer a autorregulação emocional e reduzir a ansiedade.

“O que jamais se justifica é interromper a corrida e deixar uma mãe e uma criança, especialmente uma criança com deficiência, na rua, debaixo de chuva. A empatia e o respeito devem sempre orientar esse tipo de situação”, afirmou.

O especialista também sugeriu que as plataformas de transporte possam oferecer mecanismos para identificar motoristas que tenham interesse e preparo para atender pessoas com deficiência, contribuindo para um atendimento mais acolhedor.

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Jornal da Paraíba

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